quinta-feira, 29 de abril de 2021

Sem palavras, contamos histórias

Por: Eloi José da Rocha Neto (UFPE, Pedagogia, 5º período) e Caio César Xavier (UFPE, Pedagogia, 5º período).

 

Olá, pessoal, sejam bem-vindos/as! A BNCC apresenta uma habilidade a ser desenvolvida com os/as estudantes do 3º, 4º e 5º ano do Ensino Fundamental com a finalidade de instigar a criatividade. Muitas vezes esquecida na correria do cotidiano escolar, a criatividade é de suma importância no crescimento humano. Trazemos, então, a habilidade EF35LP25: criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas para sustentar o sentido do texto e marcadores de tempo, espaço e de fala de personagens. Essa habilidade envolve a imaginação, proporcionando uma grande variedade de interpretações. Pensando nisso, iremos trazer os quadrinhos mudos e uma possibilidade de como podemos trabalhá-los em sala de aula.

 

MAS AFINAL, O QUE SÃO QUADRINHOS MUDOS?

Os quadrinhos mudos se tornaram um dos gêneros específicos no mundo dos quadrinhos. Geralmente, a linguagem nos quadrinhos se manifesta na expressão corporal dos personagens desenhados, bem como nas ações que eles executam e no ambiente em que eles executam. A tudo isso são adicionados os diálogos, que geralmente são plotados na forma de nuvens no topo. Eles apresentam características próprias que os diferenciam dos quadrinhos convencionais, sendo elas:

´  Sem diálogos: O que os torna caricaturas silenciosas é que não há diálogo que envolva os personagens em questão.

´  Ações definidas: Na ausência de diálogos explícitos, as ações dos personagens devem ser mais claras e definidas. As performances dos personagens devem ser a linha de toda a história. Isso significa que os pensamentos, para serem refletidos, devem ser transformados em ações.

´  Gênero universal: Sem diálogos, os desenhos silenciosos não pertencem a uma região ou país, que os vincularia a um determinado idioma. Por esse motivo, é considerado o gênero mais universal nas histórias em quadrinhos, porque tudo se reflete nas ilustrações.

´  História simples: A simplicidade das histórias contadas nos quadrinhos silenciosos não subtrai a profundidade. Precisamente, sendo ações que não exigem diálogos, elas se tornam universais, cobrindo toda a espécie humana, transcendendo o básico e inserindo os sentimentos e o poder das ações e emoções.

´  Intencionalidade: O autor da história em quadrinhos silenciosa geralmente tem uma intencionalidade em mente quando se trata de sua história. No entanto, como faltam diálogos, as interpretações não esperam, de modo que qualquer gibi silencioso é suscetível de ser interpretado de maneiras diferentes.

Seguem alguns exemplos de quadrinhos mudos:

Criada pelos artistas Chow Hon Lam e Roey Li, essa webcomic é chamada de Tu and Ted. Dois ursos, um grandão e outro bem pequeno, proporcionam bastante diversão com finais cômicos ou inesperados.


https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/fishing/viewer?title_no=168616&episode_no=35

fonte: https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/fishing/viewer?title_no=168616&episode_no=35


fonte: https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/shark-near-us/viewer?title_no=168616&episode_no=38

 

Como podemos observar, os quadrinhos mudos são excelentes companheiros na hora de estimular a produção textual de forma autônoma aos estudantes, a partir das diversas interpretações cabíveis a esses trabalhos. Em sala de aula, o/a professor/a pode instigar os/as alunos/as a explorarem sua criatividade e a desenvolver noções de tempo e espaço. Imaginem só uma sala de aula com 15 crianças entre 9 e 11 anos, cada uma com uma cabeça, uma vivência, um lápis e um papel. A quantidade de narrativas que podem surgir a partir das diversas interpretações que eles terão é imensa. O mundo dos quadrinhos mudos é mágico e pouco explorado nas escolas, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas é um mundo extremamente necessário, pois faz com que essas crianças possam explorar as suas capacidades de interpretação e coloquem em prática conceitos ligados à língua portuguesa e à produção textual, a partir de uma linguagem simples e divertida. Imaginem a quantidade de histórias que poderia sair das cabecinhas criativas desses/as estudantes, quantas experiências eles/as poderiam compartilhar com os/as seus/suas colegas. Então, professor/a, vamos nos permitir explorar novos mundos, para proporcionar experiências incríveis e enriquecedoras aos/às pequenos/as, experiências essas que eles/as levarão para o resto da vida.

Depois da leitura e interpretação, gerando intimidade com os textos, chega a hora de o/a professor/a junto com os/as alunos/as produzirem os seus próprios quadrinhos mudos. Assim, as crianças se tornam criadoras, autoras, produtoras de texto e encontram espaço para contar as suas histórias. Visto que a habilidade apresentada possui um caráter ativo, as crianças encontram espaço para compartilhar as suas experiências e percepções do mundo. Essa habilidade vai além de entender um texto: é compreender o seu funcionamento e criar a partir disso novas visões que serão somadas às suas bagagens de vida



Referências:

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018

 

POSTEMA, Barbara. Estrutura narrativa nos Quadrinhos. São Paulo: Peirópolis, 2018.

  

 

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