Por:
Eloi José da Rocha Neto (UFPE, Pedagogia, 5º período) e Caio César Xavier (UFPE, Pedagogia, 5º período).
Olá, pessoal, sejam bem-vindos/as! A BNCC apresenta uma
habilidade a ser desenvolvida com os/as estudantes do 3º, 4º e 5º ano do Ensino
Fundamental com a finalidade de instigar a criatividade. Muitas vezes esquecida
na correria do cotidiano escolar, a criatividade é de suma importância no
crescimento humano. Trazemos, então, a habilidade EF35LP25: criar narrativas
ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de
eventos e imagens apropriadas para sustentar o sentido do texto e marcadores de
tempo, espaço e de fala de personagens. Essa habilidade
envolve a imaginação, proporcionando uma grande variedade de interpretações.
Pensando nisso, iremos trazer os quadrinhos mudos e uma possibilidade de como
podemos trabalhá-los em sala de aula.
MAS AFINAL, O QUE SÃO QUADRINHOS MUDOS?
Os
quadrinhos mudos se tornaram um dos gêneros específicos no mundo dos
quadrinhos. Geralmente, a linguagem nos quadrinhos se manifesta na expressão
corporal dos personagens desenhados, bem como nas ações que eles executam e no
ambiente em que eles executam. A tudo isso são adicionados os diálogos, que
geralmente são plotados na forma de nuvens no topo. Eles apresentam
características próprias que os diferenciam dos quadrinhos convencionais, sendo
elas:
´ Sem diálogos: O que os torna
caricaturas silenciosas é que não há diálogo que envolva os
personagens em questão.
´ Ações definidas: Na ausência de
diálogos explícitos, as ações dos personagens devem ser mais claras e
definidas. As performances dos personagens devem ser a linha de toda a
história. Isso significa que os pensamentos, para serem refletidos, devem ser
transformados em ações.
´ Gênero universal: Sem diálogos, os
desenhos silenciosos não pertencem a uma região ou país, que os vincularia a um
determinado idioma. Por esse motivo, é considerado o gênero mais universal nas
histórias em quadrinhos, porque tudo se reflete nas ilustrações.
´ História simples: A simplicidade
das histórias contadas nos quadrinhos silenciosos não subtrai a profundidade.
Precisamente, sendo ações que não exigem diálogos, elas se tornam universais,
cobrindo toda a espécie humana, transcendendo o básico e inserindo os sentimentos
e o poder das ações e emoções.
´ Intencionalidade: O autor da
história em quadrinhos silenciosa geralmente tem uma intencionalidade em mente
quando se trata de sua história. No entanto, como faltam diálogos, as
interpretações não esperam, de modo que qualquer gibi silencioso é suscetível
de ser interpretado de maneiras diferentes.
Seguem
alguns exemplos de quadrinhos mudos:
Criada pelos artistas Chow Hon Lam e Roey Li, essa webcomic é
chamada de Tu and Ted. Dois ursos, um grandão e outro bem
pequeno, proporcionam bastante diversão com finais cômicos ou inesperados.
fonte: https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/fishing/viewer?title_no=168616&episode_no=35
fonte: https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/shark-near-us/viewer?title_no=168616&episode_no=38
Como
podemos observar, os quadrinhos mudos são excelentes companheiros na hora de
estimular a produção textual de forma autônoma aos estudantes, a partir das
diversas interpretações cabíveis a esses trabalhos. Em sala de aula, o/a
professor/a pode instigar os/as alunos/as a explorarem sua criatividade e a
desenvolver noções de tempo e espaço. Imaginem só uma sala de aula com 15
crianças entre 9 e 11 anos, cada uma com uma cabeça, uma vivência, um lápis e
um papel. A quantidade de narrativas que podem surgir a partir das diversas
interpretações que eles terão é imensa. O mundo dos quadrinhos mudos é mágico e
pouco explorado nas escolas, principalmente nos anos iniciais do Ensino
Fundamental. Mas é um mundo extremamente necessário, pois faz com que essas
crianças possam explorar as suas capacidades de interpretação e coloquem em prática
conceitos ligados à língua portuguesa e à produção textual, a partir de uma
linguagem simples e divertida. Imaginem a quantidade de histórias que poderia
sair das cabecinhas criativas desses/as estudantes, quantas experiências eles/as
poderiam compartilhar com os/as seus/suas colegas. Então, professor/a, vamos
nos permitir explorar novos mundos, para proporcionar experiências incríveis e
enriquecedoras aos/às pequenos/as, experiências essas que eles/as levarão para
o resto da vida.
Depois
da leitura e interpretação, gerando intimidade com os textos, chega a hora de
o/a professor/a junto com os/as alunos/as produzirem os seus próprios
quadrinhos mudos. Assim, as crianças se tornam criadoras, autoras, produtoras
de texto e encontram espaço para contar as suas histórias. Visto que a
habilidade apresentada possui um caráter ativo, as crianças encontram espaço
para compartilhar as suas experiências e percepções do mundo. Essa habilidade
vai além de entender um texto: é compreender o seu funcionamento e criar a
partir disso novas visões que serão somadas às suas bagagens de vida
Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum
Curricular. Brasília, 2018
POSTEMA, Barbara. Estrutura narrativa nos
Quadrinhos. São Paulo: Peirópolis, 2018.


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