De que forma as TIC`s podem contribuir para o processo da habilidade de construção e interpretação de gêneros textuais?
No país (e no mundo) globalizado, capitalista e informatizado no qual vivemos, com um modelo social pautado no consumo, inovação e competitividade, as tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) se apresentam como um elemento estruturante e basilar para as atividades econômicas, sociais e educacionais do país.
Mas, e o que são essas TICs?
TICs é um conjunto de recursos tecnológicos que se articulam entre si, para promover as funções e automações que são inerentes e essenciais aos processos de negócios, pesquisa científica e ensino. Ou seja, em outras palavras e em termos práticos, são softwares, hardwares e telecomunicações criados com o propósito de se comunicarem e se complementarem para ampliar as formas de comunicação, produção de valor, socialização e trabalho. E consequentemente, são responsáveis por impulsionar o desenvolvimento humano, intelectual e econômico do país, facilitando as formas de existência em um modelo social que exige proatividade, agilidade e produção de resultados.
Vamos ver alguns exemplos de TIC’s?
Os computadores, sistemas para internet, sites, smartphones, celulares, Tablets, Computador, Televisão, Impressora com scanner, YouTube, Câmera fotográfica, E-mails, Bluetooth, etc.
O acesso às TIC’s vem crescendo exponencialmente nos últimos anos e a nossa exposição às mais variadas formas de tecnologias tem conversado de maneira muito particular com as nossas realidades e necessidades, que se transformam em razão e em função do nosso modelo de vida.
Uma pesquisa feita pelo Estadão, e publicada no portal eletrônico da revista Época, no ano de 2019, apontava que, já naquela época, o Brasil possuía “dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets”. E que até o final daquele ano, existiriam mais de 420 milhões de aparelhos tecnológicos em uso. Mais de um aparelho por habitante. Hoje, esses números tendem a ser ainda mais surpreendentes.
Apesar disso, fica o questionamento: Como são utilizados esses aparelhos? Eles dão/facilitam o acesso aos meios de comunicação, redes sociais e espaços educativos. Eles dependem da disponibilidade de uma rede de internet, por exemplo?
Há uma desigualdade evidente nas formas de utilização e democratização de acesso às TICs, fator importante que reforça as desigualdades presentes nas relações humanas e sociais. E quando falamos sobre isso, estamos falando sobre o que as pesquisas apontam como “exclusão digital”, ou seja, a falta de acesso a oportunidades, que vão muito além da disponibilização de aparelhos tecnológicos.
Sobre isso, encontramos um estudo realizado pelo pesquisador Marcelo Ferreira Trezza Knop, mestre em administração pela UFLA, e publicado no Caderno Eletrônico de Ciências Sociais, Vitória, v. 5, n. 2, pp. 39-58, 2017, que tem como ideia central “as relações desiguais entre educação e trabalho, desencadeadas por distintos acessos aos denominados bens generativos de valor; nesse caso, as tecnologias de informação e comunicação”.
Esse trabalho é interessante, porque ele apresenta e discute “oportunidades e não-oportunidades, ligadas à obtenção e posse de determinadas credenciais”, que classificam pessoas em estruturas hierárquicas dentro da sociedade, posicionando-as em função de suas posses e acessos. Logo, os que não possuem essas credenciais, estão “excluídos”. E isso, se refere, também, às TIC’s, sendo a “exclusão digital”, na íntegra, uma questão de distribuição desigual de recursos, acesso, compreensão e uso no que se refere a tais tecnologias.
Olhando para a educação, mesmo em proporções desiguais, as TIC`s têm sido incorporadas às práticas docentes, na intenção de promover meios de ensino e aprendizagem mais significativos, se aproximando de maneira particular às realidades de cada público.
Na BNCC, a importância desses das TICs como recurso metodológico está orientado no caderno de aprofundamentos e implementações, onde explica que elas têm o objetivo de aproximar os professores da realidade dos alunos, alinhando o processo de ensino-aprendizagem às suas zonas de interesse e engajamento.
Se tratando, especificamente, do processo da habilidade de construção da língua escrita, a BNCC se preocupa com a alfabetização e o letramento digital, orientando a importância de promover o acesso às informações que circulam nos meios digitais, tornando acessível às tecnologias que oportunizam a inclusão digital.
A competência geral 5, por exemplo, orienta que essas TICs devem ser utilizadas não somente como MEIO ou SUPORTE didático para as atividades, mas sim como um INSTRUMENTO CRIATIVO, para construção de conhecimentos COM e SOBRE o uso das TICs.
E, em termos práticos, como isso acontece, dentro do processo da habilidade de construção e interpretação de gêneros textuais?
Na prática, as TICs devem auxiliar na inserção das práticas de leitura ao mesmo tempo que promovem a inclusão digital por meio da compreensão textual e produção literária de gêneros textuais diversos.
Para isso, podemos fazer uso de softwares através do Proinfo, que é uma iniciativa do MEC, do Programa Nacional de Tecnologia Educacional, para as escolas da rede pública de ensino. Bem como, apresentação de blogs, portais e jornais virtuais interativos que são produzidos e editados por crianças, aproximando realidades e apresentando um espaço educativo, com representatividade. São exemplos de portais: http://escolaempauta.com.br/ + https://jornaldacrianca.com.br/ .
Outra opção é utilizar-se dos karaokês, leituras de histórias em quadrinhos em formato digital e momentos de "Leitura Deleite". Ainda, apresentação de filmes, cuja exibição deverá ser seguida de atividades de compreensão e interpretação textual.
Utilizando-se de projetos, podemos utilizar os laboratórios de informática para uso de plataformas digitais, jogos pedagógicos disponíveis na WEB e até práticas de leitura com (re)produção textual, desenvolvendo atividades com sequências semanais até à culminância do projeto.
A produção e edição de livros, dentro de um gênero literário específico, também é uma possibilidade de utilização das TIC’s para o processo da habilidade de construção e interpretação de gêneros textuais. Sugerimos até uma espécie de "Chá Literário", onde os alunos podem produzir os seus livros (com folhas de papel A4, giz de cera e lápis grafite) e em seguida, reproduzir essas artes graficamente.
A coleção poderá ganhar algum nome semelhante a "Pequenos Autores, Grandes Histórias" e com isso, nesse espaço e atividades, os alunos poderão demonstrar seus aprendizados numa oficina de produção textual do gênero textual escolhido.
Nessa proposta de atividade com a utilização das TIC’s é possível reforçar a aprendizagem da língua e das múltiplas linguagens com as práticas de leitura, produção textual e oralidade, confirmando o caminho do uso-reflexão-uso, que considera a variação linguística e adequação aos múltiplos contextos de uso (BNCC, 2018).
A utilização de recursos como histórias em quadrinhos no formato digital acabam propiciando um momento mais lúdico com as crianças sem deixar de lado o momento de leitura que é tão importante para a aproximação dos alunos com a produção textual, podendo ser feita de maneira divertida.
Devemos deixar claro, que aqui, tomamos como base, a competência geral 3 da BNCC, para o ensino fundamental: “Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo” (BNCC, 2018. p.89). Bem como, focalizamos na habilidade específica (EF15LP05), como suporte para exemplo.
² https://periodicos.ufes.br/index.php/cadecs/article/view/19437
⁴ “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.” (BNCC, 2018)
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