domingo, 4 de abril de 2021

As Linguagens Digitais na Escola

"Essas crianças de hoje em dia já nascem com o celular na mão!"
Por: Maria Luiza Franco e Everton Salles 

 








  
  A expressão do título é comumente utilizada em conversas populares, sobretudo por pessoas mais antigas, demonstrando surpresa ao perceber que as crianças de hoje em dia, por terem contato com tecnologias digitais muito mais cedo em suas vidas, desenvolvem muito rapidamente habilidade para manusear celulares, tablets e computadores. Graças a revolução da internet, e o desenvolvimento destas ferramentas digitais, o acesso à informação em geral se tornou  universal e acessível, fazendo parte do cotidiano de milhões de famílias do mundo inteiro.

É inegável que hoje em dia o uso dessa tecnologia influencia completamente nossas vidas, a capacidade de se relacionar com as pessoas, nossa forma de enxergar o mundo, nossa capacidade de estudar e aprender, entre outras coisas. A internet e o celular nos conectam com o mundo todo, são meios que vieram para ficar e que acabam por constituir uma cultura digital e a escola como uma instituição responsável por disseminar a nossa cultura para as futuras gerações, têm um papel fundamental de incluir no seu currículo aprendizagens relacionadas a essa cultura.



Novos gêneros e subgêneros

     Por se tratar de uma ferramenta onde ocorre várias formas de interações entre os diferentes saberes, vindos de diferentes localidades, a internet constitui um meio intrinsecamente comunicativo, portanto ligado diretamente à linguagem.  No ensino da língua portuguesa nos deparamos com diversos gêneros textuais, que são modos tanto de falar (gêneros orais) como de escrever e ler (gêneros escritos/visuais).

Já os  textos digitais surgiram a partir da necessidade de adaptar-nos a essa nova realidade digital, como uma forma de estender o alcance dos gêneros textuais já existentes e a partir dessas novas ferramentas, criar novos gêneros, como por exemplo o e-mail, que nada mais é do que uma evolução da carta, que dispensa o papel, a caneta e a postagem via correios. O destinatário recebe-o de forma instantânea, ao contrário da carta, que podia demorar dias e dias para chegar às mãos de seu leitor.
 
    A tecnologia possui um papel fundamental, portanto, é impensável trabalhar o estudo da língua sem se utilizar dos meios digitais como suporte na contemporaneidade. Sua compreensão e usos são tão importantes e devem ser inseridos no processo de ensino e aprendizagem. Existem duas competências gerais que estão relacionadas ao uso da tecnologia em sala de aula:

 “Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.” (BNCC, 2017)

 “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.” (BNCC, 2017)


O uso do celular na sala de aula

 Durante muito tempo se especulou sobre o uso dos celulares em sala de aula, por muitas vezes proibidos em sala de aula, porém com a Base, a escola tem um desafio de implementar o uso de ferramentas tecnológicas, sendo uma delas, os celulares.

Percebendo-se que a escola pública tem um déficit nesta questão de ferramentas tecnológicas, o uso do celular é um dos meios de comunicação que pode ser bem aproveitado e utilizado de forma a cumprir essa implementação de recursos tecnológicos. Por vez, vale salientar também que algumas escolas públicas adotaram a distribuição de tablets para alguns alunos, com aplicativos educacionais, para que por meio destes, o ensino aprendizagem de forma digital, seja progressivo e de fato implementado.

Porém, nem todas as escolas públicas participaram deste processo. E muitas, ainda não possuem tantas ferramentas digitais como forma de apoio para as aulas. Percebido isto, o celular é a forma mais acessível no momento, para esta forma de ensino. Observando o cenário atual, onde as aulas híbridas (também previstas na BNCC, como forma de ensino digital) se tornaram mais comuns, é importante perceber que celulares, são uma das formas mais utilizadas e acessíveis que alguns alunos possuem e que por vezes, estão funcionando.


E aí? Ficou confuso? Sabemos que para muitos professores ainda é um desafio implementar essas novas práticas digitais na rotina escolar. MAS CALMA, NÃO SE DESESPERE! Anote aí algumas sugestões de gêneros digitais para trabalhar nas suas aulas de português:


Vlogs: Trata-se de um  blog em que os conteúdos predominantes são os vídeos. A grande diferença entre um vlog e um blog está no formato da publicação: em lugar de publicar textos e imagens, o vlogger ou vlogueiro faz um vídeo sobre o assunto do qual quer tratar. O site que os internautas mais utilizam para publicar os seus vídeos é o YouTube.

Meme: O termo remete ao humor e é bastante conhecido e utilizado no "mundo da internet", referindo-se ao fenômeno de "viralização" de uma informação. Qualquer vídeo, imagem, frase, ideia, música que se espalhe entre vários usuários rapidamente, alcançando muita popularidade, se enquadra na definição de viralização. O meme pode ser um instrumento muito poderoso para falar sobre um assunto, podendo ser produzido pelos alunos para abordar um tema.

Podcasts: É como um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem é o conteúdo direcionado. Você pode ouvir o que quiser, na hora que bem entender.Você pode explorar esse gênero em diversas áreas do conhecimento, ao colocar o aluno no centro do processo aprendizagem para produzir um conteúdo ou agrupar os alunos para que criem seus podcasts em conjunto.

Gifs: É um formato de imagem de mapa de bits muito usado para imagens fixas e criar animações. Você pode produzir gifs com seus alunos utilizando, por exemplo, o Scratch, que é um software livre de linguagem de programação por blocos, fácil e interativo.

Chats: Um bate papo em tempo real, conhecido pelas redes sociais. Um dos mais famosos é o TweetChat, no qual é possível produzir minicontos ou emitir diversas opiniões, com um limite de 280 caracteres.  

Trailer autoral: Assim como o trailer convencional, é um videoclipe criado para anunciar um filme. No entanto, é geralmente produzido por leigos ou fãs de cinema e não pela indústria, o que faz com que os aspectos negativos prevaleçam nos comentários e cenas.

E-zine: É um fanzine, com características de uma revista temática e periódica, porém, distribuído pelos melos digitais (e-mail ou pela publicação em um site ou canal de vídeos).

Pastiche: Caracteriza-se como um texto literário escrito conforme o estilo de outro escritor consagrado. Porém, a função não é criticar o original, justamente o que diferencia o gênero da paródia, mas como uma forma de dar continuidade à história do ponto de vista do leitor.

Ciberpoema: São poemas construídos em meio digital, que suporta animações e permite, em muitos casos, a interação com a produção do autor e até a criação de novos textos. 

     É importante lembrar que da mesma forma que a internet oferece inúmeras possibilidades de busca de informações ela também esta repleta de conteúdos inadequados, mal formulados e até falsos/falsificados. Mais uma vez, cabe a escola e ao professor fazer parte dessa orientação dos alunos para que ele aprenda a filtrar por si só quais conteúdos e plataformas, de fato, irão agregar conhecimentos e valores à sua formação.

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