Por Gleison Halyson (Pedagogia - UFPE - 6° Período) e Renata Maria (Pedagogia - UFPE - 5° Período).
Você já pensou em como vai agir quando seus alunos demonstrarem atitudes preconceituosas envolvendo a língua?
Muitas vezes vivenciamos em sala de aula, diversas situações que como professores devemos intervir e por serem situações cotidianas deixamos passar sem notar o quanto isso prejudica a participação dos alunos em aula quanto ao desenvolvimento da personalidade e individualidade deles.
O preconceito linguístico dentro da sala de aula ocorre de formas variadas, desde não notáveis a exageradamente expressivas. Quando um aluno chega de outro estado ou outra localidade se expressando de forma diferente, ocorre um certo estranhamento do restante da turma que por muitas vezes utilizam deste estranhamento como justificativa para cometerem bullying e promoverem uma diminuição do aluno escolhido como alvo.
Existem várias ações recomendadas para se combater o preconceito linguístico nas escolas mas aqui propomos algo mais direto, por meio de uma conversa inicial com sua turma com intuito de quebrar esse clima e se obter um entendimento sobre as questões que envolvem essas atitudes, já que é essencial para cortar os efeitos imediatos da diminuição que os alunos sentem quando sofrem esse tipo de preconceito.
Apresentação da Variedade Linguística
Ao presenciar uma situação de preconceito linguístico, de imediato nós devemos sinalizar aos alunos que aquilo não tem sentido pois ninguém é totalmente igual, conversar com os sujeitos da situação e os demais presentes de uma forma direta e construtiva, apresentando para os alunos o que é essa diversidade por meio da variedade linguística.
Encontramos no Canal Brasil Escola dois vídeos do professor Jairo Beraldo que falam sobre esses temas de forma compreensiva. Que pode servir como base para uma aula explicativa sobre as diferentes formas de se falar presentes em nosso país e assim fazer com que os alunos tenham alguma noção de que nós, como seres sociais, somos diferentes e que não nos expressamos de uma forma totalmente padronizada.
Estes vídeos apresentam uma fala mais direcionada aos alunos do ensino médio e com um viés também voltado para realização do Enem, mas acreditamos que é um material simples e abrangente para se usar como gatilho para uma conversa entre os alunos e o professor, que estão sujeitos aos fenômenos do preconceito linguístico. A variedade linguística é bastante diversa e tem várias ramificações, que são bem retratadas pelo professor no vídeo e este conhecimento concentrado é o que queremos promover ao sugerir estas pequenas aulas. Contudo o professor atuante pode usar outros autores que falam sobre o mesmo tema, como o Marcos Bagno apresentado no segundo vídeo, para estar apto a esse diálogo com os alunos.
Encontro com a Diversidade
Terminada a conversa com os alunos e a apresentação do material visual sugerido, podemos seguir com uma metodologia referenciada pela própria BNCC que em EF35LP11 trás a informação de que o tema deve ser ensinado e compreendido a partir de gravações, canções, textos falados em diferentes variedades linguísticas, apresentando diversos modos de se expressar e assim promovendo que os alunos rejeitem esses preconceitos linguísticos.
Depois de um trabalho mais sério com os alunos, trazer algo mais leve fará com que eles fiquem mais susceptíveis a refletir sobre o aprendizado, para o 4° e 5° anos, recomendamos trabalhar com músicas que é uma das melhores fontes de auto reconhecimento e aceitação. Criar uma playlist com vários artistas brasileiros, de regiões diferentes e realizar atividades lúdicas com elas fará com que criem um interesse ainda maior e mais consciente sobre conhecer e respeitar a diversidade linguística. Gêneros como funk, forró, sertanejo, popular, brega, MPB, frevo, Reage, e os mais diversos e culturais estilos musicais vão gerar uma reflexão sobre as suas origens e proximidades pessoais.
Almejamos que é possível sim haver uma sala de aula aberta a novos tipos de linguagens, desde que sejamos os precursores desse ambiente, para isso precisamos utilizar dessas medidas simples e também das de grande participação, que podem ser projetos maiores com outros sujeitos do ambiente escolar.
E então onde chegamos com essas medidas? Sabendo que o combate aos diversos tipos de preconceito, principalmente o linguístico, é contínuo e intermitente, esperamos que com essa ação proposta, outros educadores possam agir mediante essa situação.
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