Por: Daniela Santana (UFPE-Pedagogia, 5º período) e Magda Alves (UFPE-Pedagogia, 5º período)
Uma das formas de pensarmos o trabalho com a oralidade é refletir sobre o livro didático. Desta maneira, analisamos um volume do livro didático de Língua Portuguesa aprovado pelo Programa Nacional do Livro Didático - PNLD, para o 5º Ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais.
Aqui trataremos mais especificamente sobre o "objeto de conhecimento" forma de composição de gêneros orais, descrito na Base Nacional Comum Curricular - BNCC a partir da habilidade (EF35LP10): identificar gêneros do discurso oral, utilizados em diferentes situações e contextos comunicativos, e suas características linguístico-expressivas e composicionais (conversação espontânea, conversação telefônica, entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV, debate, noticiário de rádio e TV, narração de jogos esportivos no rádio e TV, aula, debate etc.).
Aqui trataremos mais especificamente sobre o "objeto de conhecimento" forma de composição de gêneros orais, descrito na Base Nacional Comum Curricular - BNCC a partir da habilidade (EF35LP10): identificar gêneros do discurso oral, utilizados em diferentes situações e contextos comunicativos, e suas características linguístico-expressivas e composicionais (conversação espontânea, conversação telefônica, entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV, debate, noticiário de rádio e TV, narração de jogos esportivos no rádio e TV, aula, debate etc.).
Um dos aspectos importantes a considerar nos processos de ensino/aprendizagem da oralidade é superar a visão dicotômica entre oralidade e escrita. Hoje concebemos a oralidade como prática social que se inter-relacionam com o processo de escrita.
Marcuschi (2010) propõe que as diferenças entre fala e escrita se dão em um continuum tipológico e não entre dois pólos antagônicos, isto é, embora orais, algumas narrativas se aproximam mais de determinados textos escritos. Isso mostra a importância da inter-relação entre esses textos.
Precisamos reconhecer as especificidades que caracterizam a fala (DICKEL et al., 2016, pág.33) e que implicam considerar os aspectos idiossincráticos e prosódicos. Os aspectos idiossincráticos referem-se à intensidade da voz em determinados momentos, modo de articular os fonemas, etc. Já os fatores prosódicos estão relacionados a entonação, ritmo, velocidade da fala, acentos, entre outros aspectos.
A BNCC compreende o eixo oralidade como práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem contato face a face. O documento destaca que o tratamento das práticas orais compreende: consideração e reflexão sobre as condições de produção dos textos orais que regem a circulação de diferentes gêneros nas diferentes mídias e campos de atividade humana; compreensão de textos orais; produção de textos orais; compreensão dos efeitos de sentidos provocados pelos usos de recursos linguísticos e multissemióticos em textos pertencentes a gêneros diversos; e à relação entre fala e escrita.
Marcuschi (2010) propõe que as diferenças entre fala e escrita se dão em um continuum tipológico e não entre dois pólos antagônicos, isto é, embora orais, algumas narrativas se aproximam mais de determinados textos escritos. Isso mostra a importância da inter-relação entre esses textos.
Precisamos reconhecer as especificidades que caracterizam a fala (DICKEL et al., 2016, pág.33) e que implicam considerar os aspectos idiossincráticos e prosódicos. Os aspectos idiossincráticos referem-se à intensidade da voz em determinados momentos, modo de articular os fonemas, etc. Já os fatores prosódicos estão relacionados a entonação, ritmo, velocidade da fala, acentos, entre outros aspectos.
A BNCC compreende o eixo oralidade como práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem contato face a face. O documento destaca que o tratamento das práticas orais compreende: consideração e reflexão sobre as condições de produção dos textos orais que regem a circulação de diferentes gêneros nas diferentes mídias e campos de atividade humana; compreensão de textos orais; produção de textos orais; compreensão dos efeitos de sentidos provocados pelos usos de recursos linguísticos e multissemióticos em textos pertencentes a gêneros diversos; e à relação entre fala e escrita.
Considerando os aspectos teóricos e orientações da BNCC, ao analisarmos o volume do livro didático, verificamos tanto as orientações contidas no Manual do Professor, quanto aquelas destinadas aos alunos.
Sobre a oralidade, o livro destaca a importância do papel da escola no sentido de somar as variedades linguísticas e ter o cuidado de não desconsiderar o conhecimento que seus alunos trazem consigo. Embora a variedade linguística não se expresse apenas na oralidade, mas também na escrita.
Outro elemento interessante do livro didático é dispor da seção “Olá, Oralidade” que se destina a trabalhar com esse objeto de conhecimento por meio de atividades que podem ser a produção de gêneros orais ou atividades relacionadas à língua. Isso mostra um esforço e avanço do desenvolvimento desse eixo de forma sistemática e pedagógica no processo de ensino-aprendizagem.
Quanto à habilidade (EF35LP10), o livro sinaliza duas atividades específicas, o júri simulado e um debate regrado. Vamos então falar um pouco sobre essas propostas.
Outro elemento interessante do livro didático é dispor da seção “Olá, Oralidade” que se destina a trabalhar com esse objeto de conhecimento por meio de atividades que podem ser a produção de gêneros orais ou atividades relacionadas à língua. Isso mostra um esforço e avanço do desenvolvimento desse eixo de forma sistemática e pedagógica no processo de ensino-aprendizagem.
Quanto à habilidade (EF35LP10), o livro sinaliza duas atividades específicas, o júri simulado e um debate regrado. Vamos então falar um pouco sobre essas propostas.
➤Atividade 1. Júri simulado
O júri simulado correlaciona diversas habilidades à oralidade e explora elementos da forma de composição desse gênero oral. A atividade inicia-se a partir de uma conversa sobre a fábula “A cigarra e as Formigas”, discutindo se os alunos já conhecem, o que conhecem da história, dos conflitos, etc.
Os estudantes são orientados a lerem duas versões da fábula, uma de autoria de Esopo e outra de Monteiro Lobato, que apresentam finais diferentes. Nessa leitura, devem observar as diferenças existentes entre as duas versões, e, logo depois, realizar a leitura em voz alta, podendo-se estabelecer uns para lerem a voz do narrador e outros a dos personagens. Em seguida, os alunos falam sobre suas impressões/entendimento do texto.
A atividade posterior consiste em retomar ao texto para levantar informações, destacar e compreender o significado de algumas palavras, expressões irônicas e identificar a moral da história. Sucedem-se, então, as preparações para a fala e formação do júri simulado, em que o próprio livro didático descreve o papel de cada ator (advogados, testemunhas, juiz, jurados).
Quanto à constituição do júri, o livro sugere: a formação dos grupos de forma heterogênea, tempo para que os alunos se preparem (com registro no caderno de suas falas), organização da sala com as cadeiras formando um U e distribuição dos personagens em seus respectivos assentos.
O livro também traz informações sobre o funcionamento do Júri, a sequência das falas e os aspectos prosódicos e idiossincráticos desse gênero. Importante também destacar que durante a realização do júri simulado, os alunos são orientados a argumentar com base nas interpretações realizadas, como também tratar com cordialidade e respeito os diferentes posicionamentos.
A partir da análise dessa proposta, compreendemos que o júri simulado constitui uma excelente oportunidade para o trabalho com a oralidade, articulando com outros objetos de conhecimento, a leitura e escrita, bem como ampliando as experiências e aprendizagens dos alunos no estudo da língua portuguesa. O livro situa a função social do gênero, além dos aspectos composicionais e linguísticos, contemplando a habilidade EF35LP10 da BNCC.
Os estudantes são orientados a lerem duas versões da fábula, uma de autoria de Esopo e outra de Monteiro Lobato, que apresentam finais diferentes. Nessa leitura, devem observar as diferenças existentes entre as duas versões, e, logo depois, realizar a leitura em voz alta, podendo-se estabelecer uns para lerem a voz do narrador e outros a dos personagens. Em seguida, os alunos falam sobre suas impressões/entendimento do texto.
A atividade posterior consiste em retomar ao texto para levantar informações, destacar e compreender o significado de algumas palavras, expressões irônicas e identificar a moral da história. Sucedem-se, então, as preparações para a fala e formação do júri simulado, em que o próprio livro didático descreve o papel de cada ator (advogados, testemunhas, juiz, jurados).
Quanto à constituição do júri, o livro sugere: a formação dos grupos de forma heterogênea, tempo para que os alunos se preparem (com registro no caderno de suas falas), organização da sala com as cadeiras formando um U e distribuição dos personagens em seus respectivos assentos.
O livro também traz informações sobre o funcionamento do Júri, a sequência das falas e os aspectos prosódicos e idiossincráticos desse gênero. Importante também destacar que durante a realização do júri simulado, os alunos são orientados a argumentar com base nas interpretações realizadas, como também tratar com cordialidade e respeito os diferentes posicionamentos.
A partir da análise dessa proposta, compreendemos que o júri simulado constitui uma excelente oportunidade para o trabalho com a oralidade, articulando com outros objetos de conhecimento, a leitura e escrita, bem como ampliando as experiências e aprendizagens dos alunos no estudo da língua portuguesa. O livro situa a função social do gênero, além dos aspectos composicionais e linguísticos, contemplando a habilidade EF35LP10 da BNCC.
➤Atividade 2. Debate regrado
Outra atividade é o debate regrado. O debate trata-se de um gênero textual oral de opinião com base em exposições, escuta e argumentações da razão, podendo ser formal ou informal a depender do contexto em que é aplicado. Quando se trata de debate regrado, é em relação às regras estabelecidas na condução da atividade.
Na atividade analisada, o professor parte da leitura da tirinha de Calvin que aborda uma situação de Bullying vivenciada pelo personagem, uma problemática bastante presente no dia a dia escolar. Partindo dessa leitura, é proposto a elaboração de um debate regrado, uma modalidade de debate em torno de um tema, realizada através da expressão de pensamentos com determinadas regras.
Antes de começar o debate, o livro propõe alguns pontos para a partir deles os alunos refletirem sobre as atitudes dos personagens. É relevante salientar que esta atividade está relacionada à produção textual realizada por eles anteriormente, criando subsídios para argumentarem sobre um tema que já conhecem e já discutiram antes.
Ao propor as regras do debate, fica evidente a composição deste gênero contemplando as características linguísticas-expressivas e composicionais que são particulares a ele, como: saber ouvir e respeitar a opinião dos outros, a capacidade de argumentar para além das emoções, saber a hora de falar, respeitar o tempo destinado para isto e o tom de voz que é empregado.
Percebemos que no caso desta atividade, o direcionamento da atividade é bem elaborado no livro, conduzindo o professor tanto a execução e mediação da atividade quanto à forma como esta será avaliada, identificando se os alunos foram capazes de compreender como funciona o debate.
O livro oferece uma variedade de experiências com gêneros orais, desde as mais formais a outras relacionadas ao cotidiano e cultura dos indivíduos, sendo de fundamental importância, para ampliar as experiências orais e de linguagens. O livro também propõe atividades em que é possível perceber as imbricações com outros eixos, como leitura e escrita, avançando na superação de visão dicotômica entre oralidade e escrita.
Neste sentido, compreendemos que o volume do recurso didático analisado, colabora efetivamente para o trabalho com oralidade podendo ser uma ferramenta de grande importância para consolidação dos aprendizados sobre os gêneros orais. Entretanto, não podemos perder de vista a autonomia do professor em buscar outros mecanismos para compor suas práticas de ensino.
Saiba Mais!
✅ Podcast:
✅ Vídeos:Na atividade analisada, o professor parte da leitura da tirinha de Calvin que aborda uma situação de Bullying vivenciada pelo personagem, uma problemática bastante presente no dia a dia escolar. Partindo dessa leitura, é proposto a elaboração de um debate regrado, uma modalidade de debate em torno de um tema, realizada através da expressão de pensamentos com determinadas regras.
Antes de começar o debate, o livro propõe alguns pontos para a partir deles os alunos refletirem sobre as atitudes dos personagens. É relevante salientar que esta atividade está relacionada à produção textual realizada por eles anteriormente, criando subsídios para argumentarem sobre um tema que já conhecem e já discutiram antes.
Ao propor as regras do debate, fica evidente a composição deste gênero contemplando as características linguísticas-expressivas e composicionais que são particulares a ele, como: saber ouvir e respeitar a opinião dos outros, a capacidade de argumentar para além das emoções, saber a hora de falar, respeitar o tempo destinado para isto e o tom de voz que é empregado.
Percebemos que no caso desta atividade, o direcionamento da atividade é bem elaborado no livro, conduzindo o professor tanto a execução e mediação da atividade quanto à forma como esta será avaliada, identificando se os alunos foram capazes de compreender como funciona o debate.
O livro oferece uma variedade de experiências com gêneros orais, desde as mais formais a outras relacionadas ao cotidiano e cultura dos indivíduos, sendo de fundamental importância, para ampliar as experiências orais e de linguagens. O livro também propõe atividades em que é possível perceber as imbricações com outros eixos, como leitura e escrita, avançando na superação de visão dicotômica entre oralidade e escrita.
Neste sentido, compreendemos que o volume do recurso didático analisado, colabora efetivamente para o trabalho com oralidade podendo ser uma ferramenta de grande importância para consolidação dos aprendizados sobre os gêneros orais. Entretanto, não podemos perder de vista a autonomia do professor em buscar outros mecanismos para compor suas práticas de ensino.
Saiba Mais!
✅ Podcast:
https://www.youtube.com/watch?v=xE0jVHJ7TI0 (A oralidade a favor da alfabetização | Revista Educação com o Profº Claudemir Belintane da USP)
https://www.youtube.com/watch?v=cYafr29CVhs (Grupo LEPS - Entrevista com Profº Clécio Bunzen da UFPE)
https://www.youtube.com/watch?v=hioTkSqFg3E (Oralidade: Um Processo Vivo - Profº Carlos Alberto Faraco, linguista e professor da Universidade Federal do Paraná - UFPR)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018
DICKEL, Adriana et. al. Práticas pedagógicas em Língua Portuguesa e Literatura: espaço, tempo e corporeidade. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2016.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. DA FALA PARA ESCRITA: Atividades de Retextualização. 10ª Edição. Editora Cortez, 2010
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