Escrito por: Júlia Ferreira (UFPE- Pedagogia, 4º período)
Tayná Priscylla (UFPE- Pedagogia, 5º período)
Antes de aprender a escrever as crianças já conseguem se comunicar de forma oral, sendo a oralidade compreendida, tal qual afirma Dickel et al. (2016), como uma prática social interativa. Através da expressão oral, a criança passa a ampliar seu horizonte ao se comunicar e entender o que está sendo comunicado. Mas será que o ensino da oralidade é valorizado nas práticas educativas? De que forma esse eixo aparece na BNCC nos anos iniciais? A oralidade é valorizada dentro da sua sala de aula? Observa-se que a escola, bem como seus educadores, por vezes entendem a oralidade como sendo algo natural, portanto, desconsidera esse campo como um objeto de estudo, dando mais espaço e foco para a escrita, ou até, cria-se uma rivalidade entre as duas práticas, quando na verdade uma complementa a outra e cada qual tem sua devida importância.
A perspectiva acerca da oralidade na BNCC nos mostra que há uma aproximação da oralidade com a escrita, revelando sua complexidade e a necessidade de ser considerada como valiosa a ser ensinada aos alunxs. Trabalhar com a oralidade requer do professor um planejamento e aproximação de situações sociais dos diferentes gêneros orais, e a BNCC traz variadas situações que devem ser construídas com base no eixo da oralidade (você pode conferir nas páginas 78-79 e 89 da BNCC), tratando dos diversos contextos em que a oralidade está presente, considerando a forma adequada de se expressar, seja formal ou informalmente, bem como compreender elementos paralinguísticos, tais como expressões corporais, gestos, tom de voz, dentre outros.
Partindo desse pressuposto, Antunes (2002), diz que é necessário desmistificar os mitos existentes sobre a oralidade, onde a fala é tratada por vezes como o lugar do "erro" e como a representação da escrita, tornando a fala subordinada à escrita. Apesar desses mitos, a oralidade e a escrita não são tão distantes, muito menos opostas, ao contrário do achismo generalizado, a oralidade também tem sua complexidade, e assim como a escrita, vai da informalidade à formalidade dependendo do contexto que se utiliza.
Uma forma que a escrita tem de representação é sua forma de organização gráfica, quando batemos o olho em um texto conseguimos identificar se ele é uma manchete de jornal, um texto acadêmico ou revista infantil. Na imagem abaixo vemos modelos de três gêneros textuais:
Entendemos que o desenvolvimento da capacidade oral dos alunos vai depender da escola e do professor criar um ambiente de respeito, de escuta e de espaço a diferença. Sendo assim, como você, professor, pode contribuir para o desenvolvimento da oralidade dos seus alunos? Como tornar seu aluno autônomo de suas expressões orais? Primeiramente, não basta deixar que as crianças falem, sem metodologia alguma, pelo contrário, deve-se ter uma finalidade, um objetivo ao levar atividades a fim de desenvolver a capacidade oral dos alunos.
Nesse processo é importante que o educador ao falar com as crianças tenha cuidado com a própria fala, utilizando de forma clara sem imitar o jeito que a criança fala, pois eles vão servir como espelhos para os alunos. É importante que a criança entre em contato com o maior números de situações comunicativas e expressivas possíveis, dessa forma ela vai conseguir ampliar os seus horizontes de comunicação, exercitando o pensar, se tornando assim um agente ativo no processo de interpretação do mundo, de organização da mente, conseguindo expressar seus sentimentos, opiniões, dúvidas e desejos, essa organização mental vai auxiliar futuramente em situações orais de argumentação, a exemplo do que relata Chaer e Guimarães (2012).
Tendo em vista a habilidade EF12LP06 da BNCC, que tem por objetivo “planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, recados, avisos, convites, receitas, instruções de montagem, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, que possam ser repassados oralmente por meio de ferramentas”, trazemos a você uma proposta de atividade: uma produção de um tutorial de receita. A proposta é fazer o aluno produzir um tutorial, de no mínimo 1 minuto fazendo uma receita de bolo, sob a supervisão de um responsável, utilizando a ferramenta do IGTV do Instagram. Os conteúdos produzidos podem ser compartilhados com todxs da sala. É importante um diálogo com os pais dos alunos para orientação da produção.
Portanto, o trabalho com a linguagem oral deve acontecer a partir de atividades significativas, que exponham os alunos as diversas situações, das mais formais até as mais coloquiais, partindo de situações do seu cotidiano até outras mais estruturadas, tendo sempre o cuidado de garantir que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades de participação e que todos sejam incentivados a falar, pois quanto mais as crianças forem expostas a falarem em situações diferentes, mais elas irão desenvolver sua capacidade de comunicação. Em um ambiente de liberdade intelectual, onde a criança se torna um agente da oralidade. A fluência oral vai acontecer durante esse processo, construindo assim sujeitos mais críticos e preparados, tendo uma habilidade imprescindível para o convívio social nas mais diversas instâncias.

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