sexta-feira, 30 de abril de 2021

Textos dramáticos: como trabalhar em sala de aula?

     



Por Eugenia Priscila (UFPE, Pedagogia, 4º período) e Rayane Bezerra (UFPE, Pedagogia, 4º período)

    Olá professor (a), tudo bem? Hoje vamos falar sobre representação de textos dramáticos na sala de aula. A habilidade EF04LP25 da BNCC dispõe da seguinte forma: representar cenas de texto dramáticos, reproduzindo as falas das personagens, de acordo com as rubricas de interpretação e movimento indicadas pelo autor e é nessa hora que todo mundo que não tem vivência teatral se pergunta: mas como vou fazer meus alunos interpretarem? Qual o objetivo de fazer isso?

    É por isso que estamos aqui: para te ajudar na compreensão, bem como desenvolver essa habilidade com os seus alunos. Essa habilidade visa desempenhos orais e necessita de análise dos textos, então é necessário antes conversarmos rapidamente sobre o teatro na escola. Não é novidade, o quanto o teatro na escola é significativo para a formação integral de crianças e adolescentes e vai muito além das paredes da instituição de ensino e das disciplinas dadas em sala de aula. Ele aparece como um agente desenvolvedor das habilidades sociais, físicas, cognitivas e emocionais do indivíduo. Dito isto, percebe quanto é importante essa vivência teatral para os alunos? Pois, se permitem sentir, ser, fazer e ouvir.

    O gênero dramático tem como objetivo ser encenado. Nele não existe a figura tão importante que se vê em outros gêneros por aí: o Narrador! Isso mesmo. Todo o enredo se passa através dos personagens, suas falas e suas vivências em cena; portanto, os monólogos e diálogos feitos por esses eles se tornam indispensáveis para compreensão do leitor e para facilitar a representação de cenas de textos dramáticos, o autor fornece rubricas de interpretação e movimento.

    Então professor, você sabe o que são rubricas de interpretação e movimento? É fácil! Elas servem como forma norteadora para os atores; elas indicam ações e formas de moldar o personagem.

    MAS, COMO ASSIM?

    Simples! As rubricas de interpretação são os indicadores de como o ator deve falar e as de movimento indicam como se movimentar naquele determinado momento da representação. Essas rubricas vêm entre parênteses ao lado do nome do personagem, entre ou ao final da fala do mesmo. Não é tão difícil, né?

         texto infantil - O Menino Que Virou História, por Nanna Castro. (para conhecer o texto na íntegra, clique aqui)
Selecionamos alguns materiais para facilitar essa compreensão do teatro na escola e como, enfim, trabalhar a representação de textos dramáticos com os alunos dentro de sala de aula.

  • Indicação 1- A IMPORTÂNCIA DO TEATRO NA FORMAÇÃO DA CRIANÇA

    O texto nos apresenta uma reflexão sobre o teatro como uma forma de expressão que é usada desde antiguidade pelos homens para expor seus sentimentos. O mesmo nos apresenta de forma inteligente como os textos dramáticos começaram a ser usados em contexto escolar, para por fim encerrar com sugestões de leituras dramáticas a serem utilizadas em sala de aula. Para o educador em busca de métodos e práticas, o texto aborda esse assunto em específico de forma subjetiva, porém, é excelente em sugerir diversos textos a serem trabalhados em sala de aula. Para conhecer o texto, clique aqui.
  • Indicação 2- TEATRO E A ESCOLA: funções, importâncias e práticas

    Este segundo artigo destaca a importância da inserção das atividades teatrais no cotidiano escolar, como sendo fundamental para a formação psicossocial do estudante. O artigo enfatiza de forma eficiente uma visão mais ampla de metodologias introdutórias do teatro na escola, e de práticas mais eficientes para que o docente consiga trabalhar com maior facilidade o texto teatral em sala com os alunos. Este texto é provavelmente um dos mais úteis em auxiliar na construção de uma prática acessível e assertiva. Para conhecer o texto, clique aqui.
  • Indicação 3 - ENCENAR E ENSINAR: O texto dramático nas escolas.

    Dando continuidade em nossas recomendações para auxiliar-lhe na jornada de trazer o texto dramático para a vivência em sala de aula, a autora apresenta-nos a ideia da utilização da leitura dramática como um jogo. Como, por exemplo, a sugestão do uso de RPG em sala para que o aluno pudesse se sentir imerso na história e nas suas diversas possibilidades de finalização. Por fim, o texto sugere alguns escritores contemporâneos e suas obras que são excelentes para serem trabalhadas em sala de aula. Este se mostrou como sendo o artigo mais claro e didático no direcionamento do educador em sua prática em sala de aula. Para conhecer o texto, clique aqui.
  • Indicação 4 - O TEATRO NA ESCOLA

    O vídeo que recomendamos a seguir foi retirado de uma capacitação. Mostrou-se como um excelente material a ser apresentado aqui, pois, elenca diversos fragmentos importantes de outros textos. Tornando-o extremamente agradável e didático de se assistir. Assim como alguns dos textos anteriormente apresentados, esse vídeo nos traz uma opção mais lúdica de trabalhar o texto dramático em sala de aula. O que no vídeo, o professor chama de jogo dramático caracterizam-se como brincadeiras que as crianças já realizam normalmente, dessa forma a interpretação flui naturalmente. Só a partir dessa naturalização é que a criança compreenderá inteiramente o que está lhe sendo transmitido. Para conhecer o vídeo, clique aqui
  • Indicação 5 - COMO TRABALHAR A LEITURA DRAMÁTICA NA SALA DE AULA

    Finalizando nossas recomendações, a última é de mais um vídeo, sobre formas de trabalhar a leitura do texto dramático em aula. O título do vídeo é bem auto explicativo, assim como o mesmo que é bem didático na hora de auxiliar sua prática em sala de aula. O ensaio é um dos pontos mais frisados pela educadora no vídeo. Os alunos precisam estar bem familiarizados com o texto para que não pareçam robôs ao se apresentar, daí a importância dos ensaios. Além disso, os ensaios ajudarão o aluno a colocar em prática toda sua expressividade, afinal de contas, ela é uma das coisas que esse gênero textual mais requer. Para conhecer o vídeo, clique aqui.








          

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Sem palavras, contamos histórias

Por: Eloi José da Rocha Neto (UFPE, Pedagogia, 5º período) e Caio César Xavier (UFPE, Pedagogia, 5º período).

 

Olá, pessoal, sejam bem-vindos/as! A BNCC apresenta uma habilidade a ser desenvolvida com os/as estudantes do 3º, 4º e 5º ano do Ensino Fundamental com a finalidade de instigar a criatividade. Muitas vezes esquecida na correria do cotidiano escolar, a criatividade é de suma importância no crescimento humano. Trazemos, então, a habilidade EF35LP25: criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas para sustentar o sentido do texto e marcadores de tempo, espaço e de fala de personagens. Essa habilidade envolve a imaginação, proporcionando uma grande variedade de interpretações. Pensando nisso, iremos trazer os quadrinhos mudos e uma possibilidade de como podemos trabalhá-los em sala de aula.

 

MAS AFINAL, O QUE SÃO QUADRINHOS MUDOS?

Os quadrinhos mudos se tornaram um dos gêneros específicos no mundo dos quadrinhos. Geralmente, a linguagem nos quadrinhos se manifesta na expressão corporal dos personagens desenhados, bem como nas ações que eles executam e no ambiente em que eles executam. A tudo isso são adicionados os diálogos, que geralmente são plotados na forma de nuvens no topo. Eles apresentam características próprias que os diferenciam dos quadrinhos convencionais, sendo elas:

´  Sem diálogos: O que os torna caricaturas silenciosas é que não há diálogo que envolva os personagens em questão.

´  Ações definidas: Na ausência de diálogos explícitos, as ações dos personagens devem ser mais claras e definidas. As performances dos personagens devem ser a linha de toda a história. Isso significa que os pensamentos, para serem refletidos, devem ser transformados em ações.

´  Gênero universal: Sem diálogos, os desenhos silenciosos não pertencem a uma região ou país, que os vincularia a um determinado idioma. Por esse motivo, é considerado o gênero mais universal nas histórias em quadrinhos, porque tudo se reflete nas ilustrações.

´  História simples: A simplicidade das histórias contadas nos quadrinhos silenciosos não subtrai a profundidade. Precisamente, sendo ações que não exigem diálogos, elas se tornam universais, cobrindo toda a espécie humana, transcendendo o básico e inserindo os sentimentos e o poder das ações e emoções.

´  Intencionalidade: O autor da história em quadrinhos silenciosa geralmente tem uma intencionalidade em mente quando se trata de sua história. No entanto, como faltam diálogos, as interpretações não esperam, de modo que qualquer gibi silencioso é suscetível de ser interpretado de maneiras diferentes.

Seguem alguns exemplos de quadrinhos mudos:

Criada pelos artistas Chow Hon Lam e Roey Li, essa webcomic é chamada de Tu and Ted. Dois ursos, um grandão e outro bem pequeno, proporcionam bastante diversão com finais cômicos ou inesperados.


https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/fishing/viewer?title_no=168616&episode_no=35

fonte: https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/fishing/viewer?title_no=168616&episode_no=35


fonte: https://www.webtoons.com/en/challenge/tu-and-ted/shark-near-us/viewer?title_no=168616&episode_no=38

 

Como podemos observar, os quadrinhos mudos são excelentes companheiros na hora de estimular a produção textual de forma autônoma aos estudantes, a partir das diversas interpretações cabíveis a esses trabalhos. Em sala de aula, o/a professor/a pode instigar os/as alunos/as a explorarem sua criatividade e a desenvolver noções de tempo e espaço. Imaginem só uma sala de aula com 15 crianças entre 9 e 11 anos, cada uma com uma cabeça, uma vivência, um lápis e um papel. A quantidade de narrativas que podem surgir a partir das diversas interpretações que eles terão é imensa. O mundo dos quadrinhos mudos é mágico e pouco explorado nas escolas, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas é um mundo extremamente necessário, pois faz com que essas crianças possam explorar as suas capacidades de interpretação e coloquem em prática conceitos ligados à língua portuguesa e à produção textual, a partir de uma linguagem simples e divertida. Imaginem a quantidade de histórias que poderia sair das cabecinhas criativas desses/as estudantes, quantas experiências eles/as poderiam compartilhar com os/as seus/suas colegas. Então, professor/a, vamos nos permitir explorar novos mundos, para proporcionar experiências incríveis e enriquecedoras aos/às pequenos/as, experiências essas que eles/as levarão para o resto da vida.

Depois da leitura e interpretação, gerando intimidade com os textos, chega a hora de o/a professor/a junto com os/as alunos/as produzirem os seus próprios quadrinhos mudos. Assim, as crianças se tornam criadoras, autoras, produtoras de texto e encontram espaço para contar as suas histórias. Visto que a habilidade apresentada possui um caráter ativo, as crianças encontram espaço para compartilhar as suas experiências e percepções do mundo. Essa habilidade vai além de entender um texto: é compreender o seu funcionamento e criar a partir disso novas visões que serão somadas às suas bagagens de vida



Referências:

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018

 

POSTEMA, Barbara. Estrutura narrativa nos Quadrinhos. São Paulo: Peirópolis, 2018.

  

 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Jogo das palavras: Uma alternativa para o ensino da Língua Portuguesa nas turmas do 3° ano do Ensino Fundamental.

   

Por: Ana Carolina (UFPE, Pedagogia, 5º período) e Marcus Vinícius (UFPE, Pedagogia, 5º período).


Caros leitores, a BNCC apresenta uma habilidade a ser desenvolvida com os/as estudantes do 3º ano com a finalidade de que identifiquem e registrem o número de sílabas de cada palavra. Como exemplo, trazemos a habilidade EF03LP05, que solicita aos alunos a identificação das palavras e, a partir disso, classifiquem-nas. Ou seja, as crianças precisam identificar quantas sílabas essa palavra tem, e classificá-la em “monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas”. Mas como fazer isso?


O CONCEITO DE PALAVRA, A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR E A UTILIZAÇÃO DOS JOGOS DIDÁTICOS

Dentro da discussão sobre palavra e classificação, não podemos esquecer de que a escrita não é um código, antes, as palavras são compostas por unidades fonológicas (ou sonoras). A palavra é um termo, uma expressão, um vocábulo. É uma manifestação feita verbal ou graficamente formada por um agrupamento de fonemas com uma significação. Mas mais do que isso, a palavra são os sons que se articulam para expressar uma ideia, expressar um sentido muito maior do que apenas letras.

Como uma ciência,  a Linguística analisa critérios que contribuem para uma definição das unidades básicas de seu campo de estudo. O critério semântico tenta descrever o “significado” das palavras, de maneira simplista, uma vez que não é fácil estabelecer a definição de significado. O critério fonológico, que se ocupa dos sons (fonemas) da língua como sendo unidades distintas e funcionais,  entende que devido a diversidade de sons emitidos nas diferentes pronúncias de uma mesma palavra possibilita uma diversidade de significados que ela pode assumir a partir das escolhas feitas pelos falantes, não podendo ser padronizada. O critério da sintaxe estuda a forma como as palavras são combinadas numa sentença, a fim de dar sentido e significado. É com base nessa reflexão que entendemos que a palavra é uma unidade que pode ser usada como resposta e pode ocupar várias e diferentes posições sintáticas.

Com a metalinguagem, nada importa mais que a palavra e seus desdobramentos. Com ela, o código é usado para falar sobre ele mesmo, explicando-se, analisando-se e refletindo sobre si. Essa é uma prática a qual recorremos diariamente, ainda que de maneira inconsciente muitas vezes. Com essa função podemos trabalhar a classificação das palavras, de modo que as crianças se debruçam sobre essa classificação, usando-a para questioná-la e compreendê-la. 

Durante o curso da Educação Básica (Anos Iniciais e Finais), o foco da aprendizagem das crianças e adolescentes está nas dez competências gerais da BNCC. A Base estabelece, para o Ensino Fundamental, uma divisão feita por áreas de conhecimento e  componentes curriculares.

A habilidade que propomos trabalhar com o jogo proposto considera apenas o aspecto gráfico da palavra, não levando em conta seus sentidos e significados. É uma habilidade que em muito limita a reflexão sobre a língua, não possibilitando sua abordagem e seu uso de maneira ampla. Essa habilidade enfoca a classificação, o agrupamento relacionado apenas à escrita e sua normatização. Embora nós como educadores e educadoras precisamos constantemente discutir a língua como algo maior que apenas o código, é preciso também ensinar as normas gramaticais, não necessariamente dissociando ambas as práticas.

E é considerando este conceito de palavra como sendo uma manifestação verbal e gráfica, que produz sentidos além de somente códigos de escrita, que propomos uma breve e interessante reflexão acerca do uso de jogos didáticos em sala de aula, aliado ao trabalho com a consciência de um aspecto morfológico e fonético

Os jogos didáticos são um dos valiosos recursos que devem ser utilizados no dia a dia escolar, permitindo que as crianças experimentem o aprendizado da língua de forma lúdica e prazerosa. Segundo Silva e Morais (2011, p. 16), os jogos permitem às crianças tratarem as palavras como objetos com os quais se podem brincar, além de ser uma forma menos ritualística de se aprender. Contudo, é necessário que esses jogos estejam articulados à ação docente, planejada intencionalmente, na qual o professor(a) escolhe o recurso que melhor se aplica ao conteúdo a ser aprendido, organizando as estratégias didáticas e as formas de mediação que, efetivamente, possam ajudar os(as) alunos(as) a compreender os princípios da notação da língua.

O jogo em si não é o bastante para promover uma boa aprendizagem, mas os debates provocados por ele sim. A troca, as discussões provocadas permitem uma análise sobre as respostas e erros dos alunos, onde eles se auto regulam na tentativa de encontrar novas respostas ou alternativas para determinada situação. Outros fatores a serem desenvolvidos e observados são a sensibilidade e a afetividade promovidos nesses momentos de jogos, sobretudo analisando e levando em consideração o emocional conturbado de muitos jovens que chegam na escola, recebendo influências das mais diversas áreas da tecnologia onde estão inseridos. 


O JOGO DAS PALAVRAS

Objetivos Didáticos

Compreender que as palavras são compostas por unidades sonoras;

Identificar a sílaba como unidade fonológica; 

Exercitar e refletir sobre a habilidade da BNCC (EF03LP05), identificando o número de sílabas de palavras, classificando-as em monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas…;

Refletir sobre  as semelhanças e diferenças entre palavras com a mesma classificação gramatical.

Sugestões de Encaminhamento: A turma deverá ser dividida em 3 equipes. Cada equipe será representada por um marcador de coloração diferente. Para definir a ordem em que as equipes irão participar do jogo, recomenda-se que o professor escreva em papéis diferentes os números 1, 2 e 3, em seguida, solicite que um integrante de cada equipe sorteie um número. Após ordem definida, por vez, um jogador de cada equipe sorteará uma palavra da ficha de palavras. Feito isso, o jogador deverá conversar com sua equipe e decidir qual a classificação da palavra. Caso a resposta esteja correta, a equipe avançará uma casa. Caso a resposta esteja errada, o(a) professor(a) deve intervir e questionar o porquê de a equipe ter escolhido tal classificação, possibilitando que os alunos reflitam quanto a sua resposta. Em seguida, um integrante da próxima equipe deverá sortear uma nova palavra. 

DICAS

  1. Este jogo pode ser adaptado para trabalhar uma outra habilidade do 3° ano: (EF03LP06) Identificar a sílaba tônica em palavras, classificando-as em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas;

  2. A ficha de palavras é instável, sendo a trazida no material - os animais, por apresentar uma grande diversidade de classificações e por ser um campo semântico próximo à realidade da turma de 3º ano do Ensino Fundamental 1;

  3.  Com a participação dos alunos, sugere-se a construção de novas fichas de palavras pertencentes a outros campos semânticos, a partir do contexto e da realidade da sala de aula, como por exemplo, esportes, comidas, nomes de pessoas, nomes de países, personagens de filmes ou desenhos animados, entre outras possibilidades;

  4. Recomenda-se que o(a) professor(a) elabore um quadro de palavras na lousa durante o desenvolvimento do jogo, escrevendo as classificações realizadas pelas equipes. Ao final do jogo, propor uma reflexão sobre as semelhanças e diferenças das palavras classificadas que apresentam a mesma classificação gramatical (unidades sonoras X quantidade de letras).


Público Alvo: Alunos que estão terminando de se apropriar do sistema de escrita alfabética ou alunos alfabetizados.

Número de jogadores: 3 a 30 jogadores, organizados em 3 trios.

Materiais necessários: 3 marcadores com colorações diferentes, um tabuleiro, fichas de palavras.

Objetivo do jogo: Vence o jogo a primeira equipe a chegar ao fim do tabuleiro.


Referências bibliográficas:

BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. Brasília, DF: MEC, 2020. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf>. Acesso em: abril de 2021.

SILVA, A.; MORAIS, A. G. Brincando e aprendendo: os jogos com palavras no processo de alfabetização. In: LEAL, T. F.; SILVA, A. (org.). Recursos didáticos e ensino de língua portuguesa: computadores, livros... e muito mais. Curitiba: CRV, 2011.

SABIÃO, Roseline Martins. A Importância do Lúdico no Ensino da Língua Portuguesa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 07, pp. 60-98, Julho de 2018. ISSN:2448-0959.


ANEXOS PARA O JOGO

Fonte: Google Imagens


terça-feira, 27 de abril de 2021

Bate papo sobre a oralidade no livro didático

Por: Daniela Santana (UFPE-Pedagogia, 5º período) e Magda Alves (UFPE-Pedagogia, 5º período)


Uma das formas de pensarmos o trabalho com a oralidade é refletir sobre o livro didático. Desta maneira, analisamos um volume do livro didático de Língua Portuguesa aprovado pelo Programa Nacional do Livro Didático - PNLD, para o 5º Ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais.

Aqui trataremos mais especificamente sobre o "objeto de conhecimento" forma de composição de gêneros orais, descrito na Base Nacional Comum Curricular - BNCC a partir da habilidade (EF35LP10): identificar gêneros do discurso oral, utilizados em diferentes situações e contextos comunicativos, e suas características linguístico-expressivas e composicionais (conversação espontânea, conversação telefônica, entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV, debate, noticiário de rádio e TV, narração de jogos esportivos no rádio e TV, aula, debate etc.).



Um dos aspectos importantes a considerar nos processos de ensino/aprendizagem da oralidade é superar a visão dicotômica entre oralidade e escrita. Hoje concebemos a oralidade como prática social que se inter-relacionam com o processo de escrita.

Marcuschi (2010) propõe que as diferenças entre fala e escrita se dão em um continuum tipológico e não entre dois pólos antagônicos, isto é, embora orais, algumas narrativas se aproximam mais de determinados textos escritos. Isso mostra a importância da inter-relação entre esses textos.

Precisamos reconhecer as especificidades que caracterizam a fala (DICKEL et al., 2016, pág.33) e que implicam considerar os aspectos idiossincráticos e prosódicos. Os aspectos idiossincráticos referem-se à intensidade da voz em determinados momentos, modo de articular os fonemas, etc. Já os fatores prosódicos estão relacionados a entonação, ritmo, velocidade da fala, acentos, entre outros aspectos.

A BNCC compreende o eixo oralidade como práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem contato face a face. O documento destaca que o tratamento das práticas orais compreende: consideração e reflexão sobre as condições de produção dos textos orais que regem a circulação de diferentes gêneros nas diferentes mídias e campos de atividade humana; compreensão de textos orais; produção de textos orais; compreensão dos efeitos de sentidos provocados pelos usos de recursos linguísticos e multissemióticos em textos pertencentes a gêneros diversos; e à relação entre fala e escrita.



Considerando os aspectos teóricos e orientações da BNCC, ao analisarmos o volume do livro didático, verificamos tanto as orientações contidas no Manual do Professor, quanto aquelas destinadas aos alunos.

Sobre a oralidade, o livro destaca a importância do papel da escola no sentido de somar as variedades linguísticas e ter o cuidado de não desconsiderar o conhecimento que seus alunos trazem consigo. Embora a variedade linguística não se expresse apenas na oralidade, mas também na escrita.

Outro elemento interessante do livro didático é dispor da seção “Olá, Oralidade” que se destina a trabalhar com esse objeto de conhecimento por meio de atividades que podem ser a produção de gêneros orais ou atividades relacionadas à língua. Isso mostra um esforço e avanço do desenvolvimento desse eixo de forma sistemática e pedagógica no processo de ensino-aprendizagem.

Quanto à habilidade (EF35LP10), o livro sinaliza duas atividades específicas, o júri simulado e um debate regrado. Vamos então falar um pouco sobre essas propostas.


➤Atividade 1. Júri simulado
 
O júri simulado correlaciona diversas habilidades à oralidade e explora elementos da forma de composição desse gênero oral. A atividade inicia-se a partir de uma conversa sobre a fábula “A cigarra e as Formigas”, discutindo se os alunos já conhecem, o que conhecem da história, dos conflitos, etc.

Os estudantes são orientados a lerem duas versões da fábula, uma de autoria de Esopo e outra de Monteiro Lobato, que apresentam finais diferentes. Nessa leitura, devem observar as diferenças existentes entre as duas versões, e, logo depois, realizar a leitura em voz alta, podendo-se estabelecer uns para lerem a voz do narrador e outros a dos personagens. Em seguida, os alunos falam sobre suas impressões/entendimento do texto.

A atividade posterior consiste em retomar ao texto para levantar informações, destacar e compreender o significado de algumas palavras, expressões irônicas e identificar a moral da história. Sucedem-se, então, as preparações para a fala e formação do júri simulado, em que o próprio livro didático descreve o papel de cada ator (advogados, testemunhas, juiz, jurados).

Quanto à constituição do júri, o livro sugere: a formação dos grupos de forma heterogênea, tempo para que os alunos se preparem (com registro no caderno de suas falas), organização da sala com as cadeiras formando um U e distribuição dos personagens em seus respectivos assentos.

O livro também traz informações sobre o funcionamento do Júri, a sequência das falas e os aspectos prosódicos e idiossincráticos desse gênero. Importante também destacar que durante a realização do júri simulado, os alunos são orientados a argumentar com base nas interpretações realizadas, como também tratar com cordialidade e respeito os diferentes posicionamentos.

A partir da análise dessa proposta, compreendemos que o júri simulado constitui uma excelente oportunidade para o trabalho com a oralidade, articulando com outros objetos de conhecimento, a leitura e escrita, bem como ampliando as experiências e aprendizagens dos alunos no estudo da língua portuguesa. O livro situa a função social do gênero, além dos aspectos composicionais e linguísticos, contemplando a habilidade EF35LP10 da BNCC.


➤Atividade 2. Debate regrado

Outra atividade é o debate regrado. O debate trata-se de um gênero textual oral de opinião com base em exposições, escuta e argumentações da razão, podendo ser formal ou informal a depender do contexto em que é aplicado. Quando se trata de debate regrado, é em relação às regras estabelecidas na condução da atividade.

Na atividade analisada, o professor parte da leitura da tirinha de Calvin que aborda uma situação de Bullying vivenciada pelo personagem, uma problemática bastante presente no dia a dia escolar. Partindo dessa leitura, é proposto a elaboração de um debate regrado, uma modalidade de debate em torno de um tema, realizada através da expressão de pensamentos com determinadas regras.

Antes de começar o debate, o livro propõe alguns pontos para a partir deles os alunos refletirem sobre as atitudes dos personagens. É relevante salientar que esta atividade está relacionada à produção textual realizada por eles anteriormente, criando subsídios para argumentarem sobre um tema que já conhecem e já discutiram antes.

Ao propor as regras do debate, fica evidente a composição deste gênero contemplando as características linguísticas-expressivas e composicionais que são particulares a ele, como: saber ouvir e respeitar a opinião dos outros, a capacidade de argumentar para além das emoções, saber a hora de falar, respeitar o tempo destinado para isto e o tom de voz que é empregado.

Percebemos que no caso desta atividade, o direcionamento da atividade é bem elaborado no livro, conduzindo o professor tanto a execução e mediação da atividade quanto à forma como esta será avaliada, identificando se os alunos foram capazes de compreender como funciona o debate.

O livro oferece uma variedade de experiências com gêneros orais, desde as mais formais a outras relacionadas ao cotidiano e cultura dos indivíduos, sendo de fundamental importância, para ampliar as experiências orais e de linguagens. O livro também propõe atividades em que é possível perceber as imbricações com outros eixos, como leitura e escrita, avançando na superação de visão dicotômica entre oralidade e escrita.

Neste sentido, compreendemos que o volume do recurso didático analisado, colabora efetivamente para o trabalho com oralidade podendo ser uma ferramenta de grande importância para consolidação dos aprendizados sobre os gêneros orais. Entretanto, não podemos perder de vista a autonomia do professor em buscar outros mecanismos para compor suas práticas de ensino.



Saiba Mais!

✅ Podcast:
✅ Vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=xE0jVHJ7TI0 (A oralidade a favor da alfabetização | Revista Educação com o Profº Claudemir Belintane da USP)
https://www.youtube.com/watch?v=cYafr29CVhs (Grupo LEPS - Entrevista com Profº Clécio Bunzen da UFPE)
https://www.youtube.com/watch?v=hioTkSqFg3E (Oralidade: Um Processo Vivo - Profº Carlos Alberto Faraco, linguista e professor da Universidade Federal do Paraná - UFPR)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018

DICKEL, Adriana et. al. Práticas pedagógicas em Língua Portuguesa e Literatura: espaço, tempo e corporeidade. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 2016.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. DA FALA PARA ESCRITA: Atividades de Retextualização. 10ª Edição. Editora Cortez, 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Variedade Linguística e Preconceito Linguístico: Uma conversa mais Diretiva.

Por Gleison Halyson (Pedagogia - UFPE - 6° Período) e Renata Maria (Pedagogia - UFPE - 5° Período).

Você já pensou em como vai agir quando seus alunos demonstrarem atitudes preconceituosas envolvendo a língua?


Muitas vezes vivenciamos em sala de aula, diversas situações que como professores devemos intervir e por serem situações cotidianas deixamos passar sem notar o quanto isso prejudica a participação dos alunos em aula quanto ao desenvolvimento da personalidade e individualidade deles.


O preconceito linguístico dentro da sala de aula ocorre de formas variadas, desde não notáveis a exageradamente expressivas. Quando um aluno chega de outro estado ou outra localidade se expressando de forma diferente, ocorre um certo estranhamento do restante da turma que por muitas vezes utilizam deste estranhamento como justificativa para cometerem bullying e promoverem uma diminuição do aluno escolhido como alvo.


Existem várias ações recomendadas para se combater o preconceito linguístico nas escolas mas aqui propomos algo mais direto, por meio de uma conversa inicial com sua turma com intuito de quebrar esse clima e se obter um entendimento sobre as questões que envolvem essas atitudes, já que é essencial para cortar os efeitos imediatos da diminuição que os alunos sentem quando sofrem esse tipo de preconceito.


Apresentação da Variedade Linguística


Ao presenciar uma situação de preconceito linguístico, de imediato nós devemos sinalizar aos alunos que aquilo não tem sentido pois ninguém é totalmente igual, conversar com os sujeitos da situação e os demais presentes de uma forma direta e construtiva, apresentando para os alunos o que é essa diversidade por meio da variedade linguística.


Encontramos no Canal Brasil Escola dois vídeos do professor Jairo Beraldo que falam sobre esses temas de forma compreensiva. Que pode servir como base para uma aula explicativa sobre as diferentes formas de se falar presentes em nosso país e assim fazer com que os alunos tenham alguma noção de que nós, como seres sociais, somos diferentes e que não nos expressamos de uma forma totalmente padronizada.


Jairo Beraldo - Variações Linguísticas - Brasil Escola
Jairo Beraldo - Preconceito Linguístico - Brasil Escola

Estes vídeos apresentam uma fala mais direcionada aos alunos do ensino médio e com um viés também voltado para realização do Enem, mas acreditamos que é um material simples e abrangente para se usar como gatilho para uma conversa entre os alunos e o professor, que estão sujeitos aos fenômenos do preconceito linguístico. A variedade linguística é bastante diversa e tem várias ramificações, que são bem retratadas pelo professor no vídeo e este conhecimento concentrado é o que queremos promover ao sugerir estas pequenas aulas. Contudo o professor atuante pode usar outros autores que falam sobre o mesmo tema, como o Marcos Bagno apresentado no segundo vídeo, para estar apto a esse diálogo com os alunos.


Encontro com a Diversidade


Terminada a conversa com os alunos e a apresentação do material visual sugerido, podemos seguir com uma metodologia referenciada pela própria BNCC que em EF35LP11 trás a informação de que o tema deve ser ensinado e compreendido a partir de gravações, canções, textos falados em diferentes variedades linguísticas, apresentando diversos modos de se expressar e assim promovendo que os alunos rejeitem esses preconceitos linguísticos.


Depois de um trabalho mais sério com os alunos, trazer algo mais leve fará com que eles fiquem mais susceptíveis a refletir sobre o aprendizado, para o 4° e 5° anos, recomendamos trabalhar com músicas que é uma das melhores fontes de auto reconhecimento e aceitação. Criar uma playlist com vários artistas brasileiros, de regiões diferentes e realizar atividades lúdicas com elas fará com que criem um interesse ainda maior e mais consciente sobre conhecer e respeitar a diversidade linguística. Gêneros como funk, forró, sertanejo, popular, brega, MPB, frevo, Reage, e os mais diversos e culturais estilos musicais vão gerar uma reflexão sobre as suas origens e proximidades pessoais.


Almejamos que é possível sim haver uma sala de aula aberta a novos tipos de linguagens, desde que sejamos os precursores desse ambiente, para isso precisamos utilizar dessas medidas simples e também das de grande participação, que podem ser projetos maiores com outros sujeitos do ambiente escolar.


E então onde chegamos com essas medidas? Sabendo que o combate aos diversos tipos de preconceito, principalmente o linguístico, é contínuo e intermitente, esperamos que com essa ação proposta, outros educadores possam agir mediante essa situação.

De que forma as TIC`s podem contribuir para o processo da habilidade de construção e interpretação de gêneros textuais?



De que forma as TIC`s podem contribuir para o processo da habilidade  de construção e interpretação de gêneros textuais?



No país (e no mundo) globalizado, capitalista e informatizado no qual vivemos, com um modelo social pautado no consumo, inovação e competitividade, as tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) se apresentam como um elemento estruturante e basilar para as atividades econômicas, sociais e educacionais do país. 


Mas, e o que são essas TICs?

TICs é um conjunto de recursos tecnológicos que se articulam entre si, para promover as funções e automações que são inerentes e essenciais aos processos de negócios, pesquisa científica e ensino. Ou seja, em outras palavras e em termos práticos, são softwares, hardwares e telecomunicações criados com o propósito de se comunicarem e se complementarem para ampliar as formas de comunicação, produção de valor, socialização e trabalho. E consequentemente, são responsáveis por impulsionar o desenvolvimento humano, intelectual e econômico do país, facilitando as formas de existência em um modelo social que exige proatividade, agilidade e produção de resultados.


Vamos ver alguns exemplos de TIC’s?

Os computadores, sistemas para internet, sites, smartphones, celulares, Tablets, Computador, Televisão, Impressora com scanner, YouTube, Câmera fotográfica, E-mails, Bluetooth, etc. 

 

O acesso às TIC’s vem crescendo exponencialmente nos últimos anos e a nossa exposição às mais variadas formas de tecnologias tem conversado de maneira muito particular com as nossas realidades e necessidades, que se transformam em razão e em função do nosso modelo de vida.


Uma pesquisa feita pelo Estadão, e publicada no portal eletrônico da revista Época, no ano de 2019, apontava que, já naquela época, o Brasil possuía “dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets”. E que até o final daquele ano, existiriam mais de 420 milhões de aparelhos tecnológicos em uso. Mais de um aparelho por habitante. Hoje, esses números tendem a ser ainda mais surpreendentes.


Apesar disso, fica o questionamento: Como são utilizados esses aparelhos? Eles dão/facilitam o acesso aos meios de comunicação, redes sociais e espaços educativos. Eles dependem da disponibilidade de uma rede de internet, por exemplo?


Há uma desigualdade evidente nas formas de utilização e democratização de acesso às TICs, fator importante que reforça as desigualdades presentes nas relações humanas e sociais. E quando falamos sobre isso, estamos falando sobre o que as pesquisas apontam como “exclusão digital”, ou seja, a falta de acesso a oportunidades, que vão muito além da disponibilização de aparelhos tecnológicos. 


Sobre isso, encontramos um estudo realizado pelo pesquisador Marcelo Ferreira Trezza Knop, mestre em administração pela UFLA, e publicado no Caderno Eletrônico de Ciências Sociais, Vitória, v. 5, n. 2, pp. 39-58, 2017, que tem como ideia central “as relações desiguais entre educação e trabalho, desencadeadas por distintos acessos aos denominados bens generativos de valor; nesse caso, as tecnologias de informação e comunicação”.


Esse trabalho é interessante, porque ele apresenta e discute “oportunidades e não-oportunidades, ligadas à obtenção e posse de determinadas credenciais”, que classificam pessoas em estruturas hierárquicas dentro da sociedade, posicionando-as em função de suas posses e acessos. Logo, os que não possuem essas credenciais, estão “excluídos”. E isso, se refere, também, às TIC’s, sendo a “exclusão digital”, na íntegra, uma questão de distribuição desigual de recursos, acesso, compreensão e uso no que se refere a tais tecnologias. 


Olhando para a educação, mesmo em proporções desiguais, as TIC`s têm sido incorporadas às práticas docentes, na intenção de promover meios de ensino e aprendizagem mais significativos, se aproximando de maneira particular às realidades de cada público. 


Na BNCC, a importância desses das TICs como recurso metodológico está orientado no caderno de aprofundamentos e implementações, onde explica que elas têm o objetivo de aproximar os professores da realidade dos alunos, alinhando o processo de ensino-aprendizagem às suas zonas de interesse e engajamento.


Se tratando, especificamente, do processo da habilidade de construção da língua escrita, a BNCC se preocupa com a alfabetização e o letramento digital, orientando a importância de promover o acesso às informações que circulam nos meios digitais, tornando acessível às tecnologias que oportunizam a inclusão digital.


A competência geral 5, por exemplo, orienta que essas TICs devem ser utilizadas não somente como MEIO ou SUPORTE didático para as atividades, mas sim como um INSTRUMENTO CRIATIVO, para construção de conhecimentos COM e SOBRE o uso das TICs.

E, em termos práticos, como isso acontece, dentro do processo da habilidade  de construção e interpretação de gêneros textuais? 

Na prática, as TICs devem auxiliar na inserção das práticas de leitura ao mesmo tempo que promovem a inclusão digital por meio da compreensão textual e produção literária de gêneros textuais diversos.

Para isso, podemos fazer uso de softwares através do Proinfo, que é uma iniciativa do MEC, do Programa Nacional de Tecnologia Educacional, para as escolas da rede pública de ensino. Bem como, apresentação de blogs, portais e jornais virtuais interativos que são produzidos e editados por crianças, aproximando realidades e apresentando um espaço educativo, com representatividade. São exemplos de portais: http://escolaempauta.com.br/   + https://jornaldacrianca.com.br/ .

Outra opção é utilizar-se dos karaokês, leituras de histórias em quadrinhos em formato digital e momentos de "Leitura Deleite". Ainda, apresentação de filmes, cuja exibição deverá ser seguida de atividades de compreensão e interpretação textual.

Utilizando-se de projetos, podemos utilizar os laboratórios de informática para uso de plataformas digitais, jogos pedagógicos disponíveis na WEB e até práticas de leitura com (re)produção textual, desenvolvendo atividades com sequências semanais até à culminância do projeto.

 

A produção e edição de livros, dentro de um gênero literário específico, também é uma possibilidade de utilização das TIC’s para o processo da habilidade  de construção e interpretação de gêneros textuais. Sugerimos até uma espécie de "Chá Literário", onde os alunos podem produzir os seus livros (com folhas de papel A4, giz de cera e lápis grafite) e em seguida, reproduzir essas artes graficamente. 

A coleção poderá ganhar algum nome semelhante a "Pequenos Autores, Grandes Histórias" e com isso, nesse espaço e atividades, os alunos poderão demonstrar seus aprendizados numa oficina de produção textual do gênero textual escolhido. 

Nessa proposta de atividade com a utilização das TIC’s é possível reforçar a aprendizagem da língua e das múltiplas linguagens com as práticas de leitura, produção textual e oralidade, confirmando o caminho do uso-reflexão-uso, que considera a variação linguística e adequação aos múltiplos contextos de uso (BNCC, 2018).

A utilização de recursos como histórias em quadrinhos no formato digital acabam propiciando um momento mais lúdico com as crianças sem deixar de lado o momento de leitura que é tão importante para a aproximação dos alunos com a produção textual, podendo ser feita de maneira divertida. 

Devemos deixar claro, que aqui, tomamos como base, a competência geral 3 da BNCC, para o ensino fundamental: “Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar aprendendo” (BNCC, 2018. p.89). Bem como, focalizamos na habilidade específica (EF15LP05), como suporte para exemplo.

¹ https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/04/brasil-tem-230-milhoes-de-smartphones-em-uso.html

² https://periodicos.ufes.br/index.php/cadecs/article/view/19437

³http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/aprofundamentos/193-tecnologias-digitais-da-informacao-e-comunicacao-no-contexto-escolar-possibilidades

 “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.” (BNCC, 2018)

 Planejar, com a ajuda do professor, o texto que será produzido, considerando a situação comunicativa, os interlocutores (quem escreve/para quem escreve); a finalidade ou o propósito (escrever para quê); a circulação (onde o texto vai circular); o suporte (qual é o portador do texto); a linguagem, organização e forma do texto e seu tema, pesquisando em meios impressos ou digitais, sempre que for preciso, informações necessárias à produção do texto, organizando em tópicos os dados e as fontes pesquisadas.

 



segunda-feira, 5 de abril de 2021

BNCC: A linguagem oral como eixo de ensino




Autores: Luísa Santana e Ilka Silva

A oralidade, como uma prática de linguagem a ser desenvolvida nas escolas, não é novidade. Está prevista desde a publicação dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) no final da década de 1990. Agora, o caráter normativo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) torna necessário ser implementado nos currículos de forma efetiva. 


Mas você sabe como a oralidade se apresenta na BNCC?

O eixo oralidade na BNCC, compreende as práticas de linguagem que ocorrem em situação oral com ou sem contato face a face como: Aula dialogada, webconferência, mensagem gravada, campanha publicitária, seminário, debate, programa de rádio, entrevista, declamação de poemas, peça teatral,apresentação de cantigas e canções, playlist comentada de músicas, vlog de game, contação de histórias , diferentes tipos de podcasts e vídeos, dentre outras.


Então, professor, essas são algumas modalidades de produção de texto oral dentro da sala de aula que podem ser trabalhados tanto com as séries iniciais quanto com as séries finais e que fazem parte da oralidade. Pode-se apresentar um poema, uma música , uma peça de teatro, tudo isso vai trabalhar a oralidade, mas o aluno precisa anteriormente ser apresentada a esses tipos de textos orais. E porque é tão importante? O tratamento das práticas orais compreende em o aluno estar vivenciando todos os dias, nos seus contatos sociais, então ele poderá discutir um tema, as relevâncias do tema, se posicionar diante de temas sociais e tudo isso é um trabalho de oralidade e comunicação social que o aluno vai desenvolver em diversas situações orais. Envolve também a oralização de textos em situações socialmente significativas e interações e discussões envolvendo temáticas e outras dimensões linguísticas do trabalho nos diferentes campos de atuação. 


Então, como avaliar a oralidade em sala de aula? Quais os instrumentos mais adequados para avaliar os alunos quando se trata da oralidade? Obviamente, uma prova escrita não é  adequado para se avaliar quando trabalhamos as habilidades de oralidade de um aluno. Isso exige repensar as formas mais tradicionais de avaliação.


Como vemos, o trabalho da oralidade no currículo da escola como é tratado na BNCC, exige uma revisão das práticas de ensino e de avaliação, que precisam se adequar para a valorização dessa prática de linguagem.


Referências:


BRASIL, MEC. Lei de Diretrizes e Bases para Educação Nacional, n° 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. 


BRASIL, SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais. Ensino Fundamental e Médio: MEC/SEE. 1998.


https://novaescola.org.br/conteudo/18165/entenda-como-a-bncc-aborda-a-lingua-

portuguesa-no-fundamental Publicado em NOVA ESCOLA 08 de Agosto | 2019