Por Evandro Farias (UFPE - Pedagogia, 5º Período) e Jessica Dias (UFPE - Pedagogia, 5º Período).
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| Fonte: Arquivo pessoal (2021). |
Nos últimos dez anos, a visão de mundo das pessoas e como elas se comportam nele mudou e isso ocorreu principalmente por causa do uso de novas tecnologias no nosso dia a dia. Quem de nós (com mais de 25 anos) imaginaria, quando criança, ter um celular e com ele poder fazer uma vídeochamada com uma pessoa de outro lugar? Que poderíamos ter aulas síncronas pela internet? Que a internet seria uma ferramenta de uso cotidiano?
Por isso, era esperado que, de alguma forma, a tecnologia digital chegasse nas escolas e nas salas de aula. E assim aconteceu, pois, atualmente, várias escolas têm aplicativos próprios ou utilizam uma agenda digital para informar e se comunicar com os pais; há também as escolas e professores que usam meios menos “formais” de comunicação, como é exemplo daquelas que usam o Whatsapp para informar sobre reuniões e, em tempos de pandemia, ter aulas por vídeochamada e enviar atividades para os alunos.
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| Fonte: Arquivo pessoal (2021). |
No entanto, apesar de todo avanço tecnológico, o uso do celular em sala de aula por estudantes ainda é malquisto por uma boa parte dos professores, coordenadores, diretores e, principalmente, dos pais. Isso faz com que se percam várias oportunidades de usar o celular para favorecer o desenvolvimento de uma atividade e/ou habilidade dos alunos. Não podemos negar o lado negativo do celular em sala de aula, pois ele tem um poder distrativo enorme; se o uso dele não for guiado pelo professor, esse pode “perder” o aluno facilmente para os aplicativos encontrados no celular.
Por essa razão, estamos propondo uma atividade na qual os alunos irão utilizar o celular em uma das etapas do processo de desenvolvimento. Assim, iremos fazer com que os estudantes se sintam mais engajados na realização da atividade e encontrem maneiras criativas para concluí-la. Daí, a nossa proposta é: que tal organizarmos um radiojornal que será gravado, divulgado e distribuído pelo Whatsapp?
Essa atividade deve ser realizada com alunos do 4º ano do ensino fundamental. É uma proposta baseada na habilidade EF04LP17 da BNCC, onde é pedido para “Produzir jornais radiofônicos ou televisivos e entrevistas veiculadas em rádio, TV e na internet, orientando-se por roteiro ou texto e demonstrando conhecimento dos gêneros jornal falado/televisivo e entrevista” (BRASIL, 2018, p.127).
Para colocar a mão na massa, vamos precisar de alguns elementos básicos. Primeiro: estabeleça uma temática para ser abordada, é interessante que seja algo atrativo para os alunos falar sobre: pode ser um jogo, um estilo musical, um fato histórico. Depois, separe a turma em grupos e peça um texto coletivo com subtemas da temática escolhida. Por exemplo: se você escolheu o fenômeno do Brega Funk, você pode pedir para que um grupo escreva sobre a vivência regional com o estilo musical, uma pesquisa sobre a história do passinho ou impacto cultural desse gênero musical no Brasil. Se a turma for muito grande ou você queira deixar o trabalho mais centralizado e específico, você pode trazer diversos temas e criar um jornal radiofônico de variedades.
Aqui entra mais uma proposta: caso queira adicionar o gênero entrevista, o jornal pode ter uma construção muito mais interativa. Assim, os alunos terão contato com outros gêneros. A dica é que haja intersecção da entrevista no jornal falado.
Ao concluir a primeira etapa da nossa atividade, é chegada a hora de usar o Whatsapp. Os grupos terão que falar sobre a temática que escreveram, levando os textos produzidos como base. A dica é que seja criado um grupo de conversas no Whatsapp (e seria muito legal se tivessem os familiares dos alunos) para que os estudantes comecem a mandar os áudios nele. O professor pode assumir um papel de âncora do jornal radiofônico, introduzindo as manchetes e os temas abordados ou pode apenas dirigir seus alunos para que eles desenvolvam a atividade em sala de aula.
Outra proposta: dentro do Whatsapp há uma ferramenta que limita à administradores as pessoas que enviam as mensagens. Você pode colocar todos os alunos como administradores do grupo e fechar para que somente eles possam mandar mensagens enquanto outros escutam. Posteriormente, se quiser, pode abrir para que receba comentários dos familiares que estão no grupo!
Curtiu? Temos mais para te contar! O conhecimento e a brincadeira andam lado-a-lado e seus alunos podem ficar muito motivados em querer desenvolver a atividade. Com ela, você irá trabalhar a produção textual, a oralidade e o gênero jornal falado (e entrevista, caso queira dar um plus). Então, que tal expandir o conceito desse meio de comunicação?
REFERÊNCIA:
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.


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