quarta-feira, 31 de março de 2021

Mídias digitais: uma proposta de incentivo à leitura e oralidade em sala de aula

Por Helimara L. Ramos (Pedagogia/UFPE - 4° período) e Maria Isabel Mello (Pedagogia/ UFPE - 4° período)


A abordagem educacional em sala de aula como proposta de incentivo à busca de informações


Logo após a Era Industrial, emergente no final do século XX, desponta o período em que a tecnologia e a informação se tornam cada vez mais essenciais e presentes no cotidiano do ser humano. Estamos cada vez mais imersos na chamada “Era digital”, que mesmo que você não perceba, está presente nesse exato segundo na sua vida. É uma era que potencializa os fluxos de informação, produzindo tecnologias que vieram para mudar a forma de pensar e de até de se comunicar, a era onde “tudo é possível”. Se formos comparar, é possível dar-se conta de como hoje é bem mais fácil e prático à busca de informações, porém não tão demandado como antes. Ao mesmo tempo em que se informar tornou-se fácil por meio das mídias digitais e eletrônicas, nos tornamos cada vez menos ambiciosos e ávidos. O mau uso desses meios, e a falta de incentivo à busca de informações, vem surtindo efeito e reflete no déficit da habilidade de argumentação oral nos diversos âmbitos educacionais, principalmente nos Anos Iniciais, em que os alunos muitas vezes têm o primeiro contato com esse tipo de habilidade e necessitam de mais atenção e cuidado quanto a sua utilização.


A partir da leitura e estudo da BNCC e pensando em discorrer um pouco sobre a seguinte habilidade: Argumentar oralmente sobre acontecimentos de interesse social, com base em conhecimentos sobre fatos divulgados em TV, rádio, mídia impressa e digital, respeitando pontos de vista diferentes, convidamos a Doutora Ana Cláudia Gonçalves Rodrigues, para responder algumas questões e debater sobre o tema da leitura e oralidade associada a habilidade da BNCC exposta. A convidada é graduada em Fonoaudiologia pela UNICAP em 1992, com mestrado e doutorado na área de Educação pela UFPE. É pesquisadora e membro do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL/UFPE), e atualmente ministra disciplinas de graduação e pós-graduação na Universidade Federal de Pernambuco.

Fonte: Whatsapp


De que maneiras pode-se incentivar a leitura crítica e consciente dos alunos para que eles consigam, quando requisitados, argumentar oralmente sobre pesquisas realizadas baseadas em leituras prévias?


Ana Cláudia: Mostrar pra eles que a busca de sites confiáveis, identificar notícias que retratam mais a notícia em si, diferenciando do que pode ser fakenews. Outra coisa, é preciso ter clareza que não há neutralidade em uma notícia/texto, para que os alunos não olhem tudo com verdade absoluta, que questionem com criticidade, para identificar aspectos e refletir sobre o que se está lendo, estabelecendo um diálogo. Isto está de acordo com o que acredito: não estar de acordo com tudo que lê, e sempre pesquisar mais argumentos, pois só assim ele vai construir opiniões. Por isso que a leitura prévia ela é importante, uma leitura onde busque estabelecer argumentações de forma  crítica, pois só assim ele defende, sabendo que existem outras possibilidades também.

Como orientar os alunos a buscarem informações de diferentes meios comunicativos, para que assim quando apresentado em sala, eles possam argumentar e também ouvir diferentes pontos de vista e respeitá-los?


Ana Cláudia: Eu acredito que está um pouco ligada a resposta da pergunta anterior. Porque o aluno precisa ter clareza de que a notícia não é neutra, que o autor se posiciona. Eu posso ter a mesma temática sendo discutida sob óticas diferentes, então é importante que o aluno conheça os posicionamentos diversos, sob aquela discussão, para que ele estabeleça uma posição, e em um debate em sala, possa ouvir os diferentes pontos de vista dos colegas e possa contra-argumentar os argumentos deles. A partir do momento que se tem  opiniões formadas e se ouve uma opinião distinta, mas se tem um conhecimento a respeito daquele tipo de opinião, a pessoa consegue embasar bem. Porque se pode contra-argumentar a opinião do colega. Então é possível ouvir os diferentes pontos de vistas e é possível contra argumentar se eu tenho o conhecimento prévio, tendo visões diferentes sobre a mesma temática, utilizando diversas fontes e meios que tratem de maneira diferente, me fazendo ter consciência de que não tem uma verdade absoluta, e que há um posicionamento de quem escreve. Por isso, eu preciso buscar uma identidade daquilo que eu tô lendo com diversas opiniões

A utilização da TV e de mídias digitais estão cada vez mais presentes no contexto das crianças, mas nem sempre são utilizadas de forma produtiva. De que forma poderíamos orientar os alunos, incentivando-os e conscientizando-os, a usufruir dessas ferramentas em busca de uma boa argumentação oral?

Ana Cláudia: Eu acredito que uma das coisas mais importantes para que o aluno tenha uma boa produção oral, é o princípio da opinião formada. E pra ter essa opinião formada, pensando no caso das mídias digitais, é preciso que ele assista, veja o que está acontecendo na atualidade, que ele tem interesse de investigar, e assim forme sua opinião sobre o assunto. Porque só assim, ele se apropria das informações, e que vai ter acesso para desenvolver uma boa argumentação. Porque pra se ter uma boa argumentação, é preciso ter uma opinião sobre essa coisa, e eu só vou ter se eu pesquisar, ler sobre, ouvir sobre, me aprofundar, e aí eu vou construindo minha opinião.


Pode-se concluir que, de fato, pesquisar e estar informado é essencial nos dias atuais, principalmente quando tratamos das falsas informações que vem assolando o mundo e tomando força desde 2014. Utilizar as mídias e os meios de informações com cuidado e criticidade é essencial para não ser uma mera pessoa leiga. E o uso desses meios são grandes facilitadores na construção de um cidadão/aluno consciente e contextualizado. Então, o auxílio das mídias, junto a leituras prévias, e a mediação e incentivo de profissionais responsáveis, terá como consequência a formação de alunos críticos, como bem frisa a docente entrevistada.


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