quarta-feira, 31 de março de 2021

Entrevista: Ortografia na BNCC: um olhar no Ensino Fundamental do 3º ao 5º ano.

 Escrito por: Ellen Oliveira estudante de Pedagogia do 7º período pela UFPE e
Maria das Neves estudante de Pedagogia do 6º período pela UFPE.


Ortografia na BNCC: um olhar no Ensino Fundamental do 3º ao 5º ano.


 Ao falarmos sobre o ensino de ortografia, naturalmente, relacionamos com o exercício de copiar textos, realizar ditados de palavras, escrever repetidas vezes, e outras práticas vivenciadas dentro de uma metodologia de ensino tradicional. Se distanciar destes métodos é um importante caminho para um ensino significativo de ortografia. MORAES (2001) cria estratégias que permitem o ensino da ortografia nos moldes de uma perspectiva reflexiva e interacionista,  conforme propõe a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O ditado de palavras toma outra conotação, quando são feitas pausas para refletir e discutir sobre determinada regra ou convenção ortográfica. Ainda, a leitura e jogos com a turma, permitem a discussão sobre determinada ortografia, levando os alunos a descobrir regras específicas MORAES (2001). 

O dicionário passa a ser um recurso importante para consulta da ortografia, sanando as dúvidas, inclusive, quando ficarem adultos. Os erros deixam de ser exercícios de autojulgamento, penitência,  vergonha e medo de escrever. E passam a ser critérios para o planejamento de ensino e aprendizagem, que percebe que diferentes erros de ortografia exigem estratégias distintas e reflexões significativas.


A Professora Dra. Ana Cláudia Rodrigues Gonçalves Pessoa, é graduada em Fonoaudiologia pela Universidade Católica de Pernambuco (1992), com mestrado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (1999) e doutorado em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (2007). É pesquisadora e membro do Centro de Estudo em Educação e Linguagem (CEEL/UFPE), professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco, ensinando na graduação e na pós-graduação no Programa de Educação.

Ana Cláudia Pessoa, trabalha na área de educação há 13 anos, com ênfase em métodos e técnicas de ensino-aprendizagem, atuando principalmente nas áreas de linguagem, ortografia, escrita, aquisição e ensino. Além de contribuir em diversas publicações, como os cadernos do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa do Ministério da Educação; Formação e saberes docentes: desafios para (re)pensar a prática pedagógica (Recife: UFPE, 2020), Ensino de ortografia: sequências didáticas e jogos para o ensino fundamental (Recife: UFPE, 2020) e outros.

Em entrevista para o Blog BNCC: Educação linguística e literária, a professora Ana Cláudia Pessoa responde algumas perguntas sobre o ensino de ortografia para o Ensino Fundamental do 3º ao 5º ano, discute e oferece orientações sobre o uso de recursos didáticos para a prática pedagógica em sala de aula.


Segue entrevista:
 

Ellen e Neves: O ensino da ortografia, por vários anos, tem sido realizado através do ensino da norma, o exercício de fixação e da memorização. Você poderia falar sobre a configuração da proposta didática apresentada pela BNCC para o trabalho com a ortografia no Ensino Fundamental do 3º ao 5º  ano?

Ana Cláudia Pessoa: "A BNCC traz mais problemas em relação ao conceito de alfabetização do que propriamente ao discutir ortografia.  Porém, observo um problema na classificação da norma ortográfica por exemplo, é informado no documento que a relação S/SS é contextual.  O S é contextual apenas antes do a, o, u em início de palavras e o uso do SS é uma irregularidade.

Na parte teórica, não fica explícito como deve ser o ensino da ortografia, quando trata das irregularidades, fala que essas correspondências letra-som precisam ser memorizadas, mas não aprofundam o que fazer em relação ao ensino dos casos regulares.

Nos quadros são apresentadas as regras que devem ser trabalhadas, mas também não aponta trabalhos reflexivos em relação à norma.

Acredito que, em relação ao ensino da ortografia, a BNCC não avança."

 

 Ellen e Neves: Como o docente pode organizar metodologicamente o ensino da ortografia (regularidades diretas, contextuais, morfológico-gramaticais e irregularidades na correspondência fonema-grafemas) para os alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental, de forma que não represente meramente uma memorização de regras e palavras?

Ana Cláudia Pessoa: "Em relação às irregularidades, é necessário memorizar. Nesses casos, sugiro um trabalho voltado para as palavras de uso mais comum na vida do aluno.  Uso de jogos ortográficos que enfatizem determinadas irregularidades, contato com diversidade de gêneros textuais (leitura e produção), dentre outras coisas.

 As regularidades podem ser trabalhadas por meio de jogos que apresentem como desafio reflexões que ajudem os estudantes a pensar como a regra funciona.  Podem ser realizadas sequências didáticas específicas para o desenvolvimento de determinadas regras.  Na sequência, é importante: considerar os conhecimentos prévios dos alunos, favorecer a interação entre estudantes e entre estudantes e professores; atividades diversificadas; promover um ensino problematizador e reflexivo."

 

Ellen e Neves: Como podem ser compreendidos e tratados pelos professores os erros ortográficos concebidos pelos alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental?

Ana Cláudia Pessoa: "Primeiro é importante compreender o tipo de erro apresentado.  Se for um caso irregular, é importante que o aluno compreenda que em casos de dúvidas naquela relação letra-som é importante consultar um dicionário.  Se for um caso de regularidade, é importante levar o estudante a refletir sobre o princípio gerativo da regra."

 

Ellen e Neves: Você pode comentar como tem sido apresentado nos livros didáticos de língua portuguesa, atualmente aprovados pelo PNLD com base nas habilidades da BNCC, o sistema de escrita alfabética e ortografia, e quais alternativas didáticas os professores podem utilizar para ampliar a abordagem deste objeto de conhecimento na sala de aula?

Ana Cláudia Pessoa: "Os livros didáticos aprovados pelo PNLD vinham apresentando avanços em relação ao ensino do SEA e da ortografia com possibilidades de atividades mais reflexivas.  Ainda não foi possível ver grandes mudanças nos LDs em decorrência da BNCC.  Talvez, o próximo PNLD seja mais impactado por mudanças, infelizmente para pior, em virtude do Plano Nacional de Alfabetização (PNA)."


Referências:

MORAIS, Artur Gomes de. Uma reflexão sobre as normas ortográficas. Programa de formação de professores alfabetizadores. Brasília: MEC, 2001. p.432. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Profa/ col_3.pdf Acesso: 29.4.2021

Celular: amigo ou inimigo do professor?


  Por Evandro Farias (UFPE - Pedagogia, 5º Período) e Jessica Dias (UFPE - Pedagogia, 5º Período).


Fonte: Arquivo pessoal (2021).

    Nos últimos dez anos, a visão de mundo das pessoas e como elas se comportam nele mudou e isso ocorreu principalmente por causa do uso de novas tecnologias no nosso dia a dia. Quem de nós (com mais de 25 anos) imaginaria, quando criança, ter um celular e com ele poder fazer uma vídeochamada com uma pessoa de outro lugar? Que poderíamos ter aulas síncronas pela internet? Que a internet seria uma ferramenta de uso cotidiano?

    Por isso, era esperado que, de alguma forma, a tecnologia digital chegasse nas escolas e nas salas de aula. E assim aconteceu, pois, atualmente, várias escolas têm aplicativos próprios ou utilizam uma agenda digital para informar e se comunicar com os pais; há também as escolas e professores que usam meios menos “formais” de comunicação, como é exemplo daquelas que usam o Whatsapp para informar sobre reuniões e, em tempos de pandemia, ter aulas por vídeochamada e enviar atividades para os alunos.

Fonte: Arquivo pessoal (2021).

    No entanto, apesar de todo avanço tecnológico, o uso do celular em sala de aula por estudantes ainda é malquisto por uma boa parte dos professores, coordenadores, diretores e, principalmente, dos pais. Isso faz com que se percam várias oportunidades de usar o celular para favorecer o desenvolvimento de uma atividade e/ou habilidade dos alunos. Não podemos negar o lado negativo do celular em sala de aula, pois ele tem um poder distrativo enorme; se o uso dele não for guiado pelo professor, esse pode “perder” o aluno facilmente para os aplicativos encontrados no celular.

    Por essa razão, estamos propondo uma atividade na qual os alunos irão utilizar o celular em uma das etapas do processo de desenvolvimento. Assim, iremos fazer com que os estudantes se sintam mais engajados na realização da atividade e encontrem maneiras criativas para concluí-la. Daí, a nossa proposta é: que tal organizarmos um radiojornal que será gravado, divulgado e distribuído pelo Whatsapp?

    Essa atividade deve ser realizada com alunos do 4º ano do ensino fundamental. É uma proposta baseada na habilidade EF04LP17 da BNCC, onde é pedido para “Produzir jornais radiofônicos ou televisivos e entrevistas veiculadas em rádio, TV e na internet, orientando-se por roteiro ou texto e demonstrando conhecimento dos gêneros jornal falado/televisivo e entrevista” (BRASIL, 2018, p.127).

    Para colocar a mão na massa, vamos precisar de alguns elementos básicos. Primeiro: estabeleça uma temática para ser abordada, é interessante que seja algo atrativo para os alunos falar sobre: pode ser um jogo, um estilo musical, um fato histórico. Depois, separe a turma em grupos e peça um texto coletivo com subtemas da temática escolhida. Por exemplo: se você escolheu o fenômeno do Brega Funk, você pode pedir para que um grupo escreva sobre a vivência regional com o estilo musical, uma pesquisa sobre a história do passinho ou impacto cultural desse gênero musical no Brasil. Se a turma for muito grande ou você queira deixar o trabalho mais centralizado e específico, você pode trazer diversos temas e criar um jornal radiofônico de variedades.

    Aqui entra mais uma proposta: caso queira adicionar o gênero entrevista, o jornal pode ter uma construção muito mais interativa. Assim, os alunos terão contato com outros gêneros. A dica é que haja intersecção da entrevista no jornal falado.

    Ao concluir a primeira etapa da nossa atividade, é chegada a hora de usar o Whatsapp. Os grupos terão que falar sobre a temática que escreveram, levando os textos produzidos como base. A dica é que seja criado um grupo de conversas no Whatsapp (e seria muito legal se tivessem os familiares dos alunos) para que os estudantes comecem a mandar os áudios nele. O professor pode assumir um papel de âncora do jornal radiofônico, introduzindo as manchetes e os temas abordados ou pode apenas dirigir seus alunos para que eles desenvolvam a atividade em sala de aula.

    Outra proposta: dentro do Whatsapp há uma ferramenta que limita à administradores as pessoas que enviam as mensagens. Você pode colocar todos os alunos como administradores do grupo e fechar para que somente eles possam mandar mensagens enquanto outros escutam. Posteriormente, se quiser, pode abrir para que receba comentários dos familiares que estão no grupo!

    Curtiu? Temos mais para te contar! O conhecimento e a brincadeira andam lado-a-lado e seus alunos podem ficar muito motivados em querer desenvolver a atividade. Com ela, você irá trabalhar a produção textual, a oralidade e o gênero jornal falado (e entrevista, caso queira dar um plus). Então, que tal expandir o conceito desse meio de comunicação?



REFERÊNCIA:

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

Mídias digitais: uma proposta de incentivo à leitura e oralidade em sala de aula

Por Helimara L. Ramos (Pedagogia/UFPE - 4° período) e Maria Isabel Mello (Pedagogia/ UFPE - 4° período)


A abordagem educacional em sala de aula como proposta de incentivo à busca de informações


Logo após a Era Industrial, emergente no final do século XX, desponta o período em que a tecnologia e a informação se tornam cada vez mais essenciais e presentes no cotidiano do ser humano. Estamos cada vez mais imersos na chamada “Era digital”, que mesmo que você não perceba, está presente nesse exato segundo na sua vida. É uma era que potencializa os fluxos de informação, produzindo tecnologias que vieram para mudar a forma de pensar e de até de se comunicar, a era onde “tudo é possível”. Se formos comparar, é possível dar-se conta de como hoje é bem mais fácil e prático à busca de informações, porém não tão demandado como antes. Ao mesmo tempo em que se informar tornou-se fácil por meio das mídias digitais e eletrônicas, nos tornamos cada vez menos ambiciosos e ávidos. O mau uso desses meios, e a falta de incentivo à busca de informações, vem surtindo efeito e reflete no déficit da habilidade de argumentação oral nos diversos âmbitos educacionais, principalmente nos Anos Iniciais, em que os alunos muitas vezes têm o primeiro contato com esse tipo de habilidade e necessitam de mais atenção e cuidado quanto a sua utilização.


A partir da leitura e estudo da BNCC e pensando em discorrer um pouco sobre a seguinte habilidade: Argumentar oralmente sobre acontecimentos de interesse social, com base em conhecimentos sobre fatos divulgados em TV, rádio, mídia impressa e digital, respeitando pontos de vista diferentes, convidamos a Doutora Ana Cláudia Gonçalves Rodrigues, para responder algumas questões e debater sobre o tema da leitura e oralidade associada a habilidade da BNCC exposta. A convidada é graduada em Fonoaudiologia pela UNICAP em 1992, com mestrado e doutorado na área de Educação pela UFPE. É pesquisadora e membro do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL/UFPE), e atualmente ministra disciplinas de graduação e pós-graduação na Universidade Federal de Pernambuco.

Fonte: Whatsapp


De que maneiras pode-se incentivar a leitura crítica e consciente dos alunos para que eles consigam, quando requisitados, argumentar oralmente sobre pesquisas realizadas baseadas em leituras prévias?


Ana Cláudia: Mostrar pra eles que a busca de sites confiáveis, identificar notícias que retratam mais a notícia em si, diferenciando do que pode ser fakenews. Outra coisa, é preciso ter clareza que não há neutralidade em uma notícia/texto, para que os alunos não olhem tudo com verdade absoluta, que questionem com criticidade, para identificar aspectos e refletir sobre o que se está lendo, estabelecendo um diálogo. Isto está de acordo com o que acredito: não estar de acordo com tudo que lê, e sempre pesquisar mais argumentos, pois só assim ele vai construir opiniões. Por isso que a leitura prévia ela é importante, uma leitura onde busque estabelecer argumentações de forma  crítica, pois só assim ele defende, sabendo que existem outras possibilidades também.

Como orientar os alunos a buscarem informações de diferentes meios comunicativos, para que assim quando apresentado em sala, eles possam argumentar e também ouvir diferentes pontos de vista e respeitá-los?


Ana Cláudia: Eu acredito que está um pouco ligada a resposta da pergunta anterior. Porque o aluno precisa ter clareza de que a notícia não é neutra, que o autor se posiciona. Eu posso ter a mesma temática sendo discutida sob óticas diferentes, então é importante que o aluno conheça os posicionamentos diversos, sob aquela discussão, para que ele estabeleça uma posição, e em um debate em sala, possa ouvir os diferentes pontos de vista dos colegas e possa contra-argumentar os argumentos deles. A partir do momento que se tem  opiniões formadas e se ouve uma opinião distinta, mas se tem um conhecimento a respeito daquele tipo de opinião, a pessoa consegue embasar bem. Porque se pode contra-argumentar a opinião do colega. Então é possível ouvir os diferentes pontos de vistas e é possível contra argumentar se eu tenho o conhecimento prévio, tendo visões diferentes sobre a mesma temática, utilizando diversas fontes e meios que tratem de maneira diferente, me fazendo ter consciência de que não tem uma verdade absoluta, e que há um posicionamento de quem escreve. Por isso, eu preciso buscar uma identidade daquilo que eu tô lendo com diversas opiniões

A utilização da TV e de mídias digitais estão cada vez mais presentes no contexto das crianças, mas nem sempre são utilizadas de forma produtiva. De que forma poderíamos orientar os alunos, incentivando-os e conscientizando-os, a usufruir dessas ferramentas em busca de uma boa argumentação oral?

Ana Cláudia: Eu acredito que uma das coisas mais importantes para que o aluno tenha uma boa produção oral, é o princípio da opinião formada. E pra ter essa opinião formada, pensando no caso das mídias digitais, é preciso que ele assista, veja o que está acontecendo na atualidade, que ele tem interesse de investigar, e assim forme sua opinião sobre o assunto. Porque só assim, ele se apropria das informações, e que vai ter acesso para desenvolver uma boa argumentação. Porque pra se ter uma boa argumentação, é preciso ter uma opinião sobre essa coisa, e eu só vou ter se eu pesquisar, ler sobre, ouvir sobre, me aprofundar, e aí eu vou construindo minha opinião.


Pode-se concluir que, de fato, pesquisar e estar informado é essencial nos dias atuais, principalmente quando tratamos das falsas informações que vem assolando o mundo e tomando força desde 2014. Utilizar as mídias e os meios de informações com cuidado e criticidade é essencial para não ser uma mera pessoa leiga. E o uso desses meios são grandes facilitadores na construção de um cidadão/aluno consciente e contextualizado. Então, o auxílio das mídias, junto a leituras prévias, e a mediação e incentivo de profissionais responsáveis, terá como consequência a formação de alunos críticos, como bem frisa a docente entrevistada.


BNCC x Livro Didático: A importância de identificar a função sociocomunicativa dos gêneros.

Por Ana Clara Honorio de Melo (UFPE-Pedagogia, 5º período) e Mayara Pereira da Silva Souza (UFPE-Pedagogia, 5º período)

Livro didático x BNCC

Queridos leitores(as), sabemos que nós, profissionais da educação, trabalhamos de forma sistemática e integrada utilizando diferentes ferramentas e recursos para atingir objetivos didáticos. Traremos ao longo da nossa conversa um desses recursos e o documento normativo que rege a educação básica no Brasil, além de explorar um pouco sobre gêneros textuais e suas funções sociais contidas nos livros didáticos.

O uso de livros didáticos é uma das principais ferramentas de ensino utilizadas em sala de aula. O livro é um suporte didático utilizado por nós professores e um dos principais instrumentos utilizados pelo aluno durante seus anos escolares, possuindo um papel importante na formação social da criança. O livro é planejado e produzido a partir de normas, padrões e documentos normativos de modo a chegar na versão mais adequada ao consumidor final que são os professores(as), alunos(as) e familiares. 

A Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017), documento normativo que determina competências e habilidades para o ensino, norteia os conteúdos que devem ser ofertados para cada ano, auxiliando também na produção dos livros didáticos. Este documento foi reformulado e passou por algumas versões até chegar à versão final homologada. Com novas revisões e análises, alguns conteúdos, habilidades e eixos foram reorganizados visando atender uma demanda de integração entre os anos escolares.

Acompanhando essa reformulação temos como exemplo a habilidade que compõe o tema da nossa discussão “(EF03LP11) Identificar funções sociocomunicativas de diferentes gêneros textuais” (Brasil, 2016), que passou de habilidade específica para o 3º ano ensino fundamental para compor uma habilidade geral que abarca todos os anos do ensino fundamental I (1º ao 5º). Na versão final ela incorpora a habilidade(EF15LP01) identificar a função social de textos que circulam em campos da vida social dos quais participa cotidianamente (a casa, a rua, a comunidade, a escola) e nas mídias impressa, de massa e digital, reconhecendo para que foram produzidos, onde circulam, quem os produziu e a quem se destinam”. 

Tendo isso esclarecido, queridos leitores(as), nós trataremos de duas reflexões: a importância de conseguir identificar qual a função sociocomunicativa de diferentes tipos de gêneros e de que forma a habilidade anteriormente citada é encontrada no livro analisado por nós.

Sabemos que existem diversos gêneros textuais que circulam em meios e mídias distintas, realizando diferentes funções sociocomunicativas, e cada um desses gêneros possuem características próprias. Por isso é fundamental que os alunos(as) consigam identificar essas particularidades, qual ou quais funções sociais ele cumpre e saber onde aplicá-las de modo contextualizado, visto que esses gêneros estão inseridos em todos os aspectos da nossa vida. Daí a importância de atividades que levem o aluno a reconhecer e identificar qual a função sociocomunicativa de diferentes textos.

Por isso buscamos, através de uma análise de livro didático de língua portuguesa do 3º ano do ensino fundamental, compreender como seus conteúdos e atividades trazem essa habilidade.  

Contextualizando o livro didático da língua portuguesa do 3º ano e a habilidade selecionada

O livro reúne um conjunto de informações, para nós professores, sobre quais habilidades estão sendo trabalhadas nas diversas seções dos diferentes capítulos e durante a análise dele, pudemos notar o uso de gêneros textuais diversos, como poemas, recortes de notícias, artigo, verbete de enciclopédia, texto instrucional, cartaz, lendas, cartas, contos e história em quadrinhos, além de textos que remetem à cultura local e gêneros orais como o debate e exposição oral.

Ao procurar contextualizar a habilidade analisada por nós vimos que ela pode ser encontrada direta e indiretamente em algumas atividades e textos, citaremos alguns fragmentos que despertaram a nossa atenção, uma atividade posterior a leitura do gênero textual verbete de enciclopédia faz referência direta a habilidade -“(EF03LP11) Identificar funções sociocomunicativas de diferentes gêneros textuais” com o trabalho de identificar qual é a função sociocomunicativa daquele determinado texto, quais são as características dele, o meio de circulação, quais os assuntos que ele trata e a quem se destina. Em alguns trechos foi possível observar diretamente a informação que o gênero textual quer trazer: "As notícias costumam dar informações sobre o que acontece, quando e onde acontece e por que acontece. Responda às questões: O que a notícia está abordando?”. Nesse trecho foi possível observar que o livro traz para seus alunos a informação social que o gênero notícia quer transmitir. Em outros trechos, observamos que a habilidade foi citada indiretamente quando o conteúdo em questão traz informações sobre a função do gênero trabalhado, dentre esses podemos citar “Quais informações aparecem neste sumário? O que elas indicam?”. O livro ainda sugere que os alunos(as) busquem outros sumários e índices remissivos, para que os discentes tenham contato com outros textos que tem a função de ajudar o leitor.

O que se conclui é que o volume traz a diversidade de gêneros textuais que a BNCC aponta para o 3º ano. Em alguns trechos do livro foi possível observar a preocupação em informar às funções sociais dos textos e, em outros trechos, o aluno(a) é levado a explorar mais o conteúdo. Embora a habilidade tenha sido contemplada, sugerimos ao leitor(a) e professor(a) a utilização de materiais complementares para abranger a habilidade aqui exposta, que levem os alunos a compreender e identificar as funções sociais dos demais gêneros textuais não abordados pelo livro, através de dinâmicas, produções e exposições, que os orientem fazendo-lhes refletir sobre os gêneros e suas funções.

Queremos saber aqui o que você acha sobre a temática? Os livros didáticos por si só conseguem atender a demanda da BNCC? É importante trazer essa reflexão para o contexto escolar? Conta pra gente sua experiência aqui nos comentários!


BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: 2017. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#fundamental>. Acesso em: 29 mar. 2021

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Proposta preliminar. 

Segunda versão revista. Brasília: MEC, 2016. (site indisponível)


Quadrinhos Como Ferramenta de Ensino e Aprendizagem

Por: Hytallo Willian (UFPE - Pedagogia, 4º Período) ; Walbert Chaves (UFPE - Pedagogia, 4º Período); Wilton José (UFPE - Pedagogia, 5º Período)  
Habilidade BNCC: (EF15LP14) Construir o sentido de histórias em quadrinhos e tirinhas, relacionando imagens e palavras e interpretando recursos gráficos (tipos de balões, de letras, onomatopeias)

    Ainda existe um equívoco comum, especialmente com títulos voltados para crianças, de que os quadrinhos não são "livros de verdade" e, portanto, não vale a pena ler. Com características bem distintas voltadas para o lúdico e com uma linguagem visual fácil de entender. O trabalho com histórias em quadrinhos além de proporcionar divertimento também promove grande aprendizado. 

    Mas porque trabalhar com histórias em quadrinhos é utilizar uma ferramenta preciosa e significativa para os alunos? Pois bem, a utilização dessa ferramenta simples e prática é uma forma de alcançar os objetivos de aprendizagem de forma mais rápida e, principalmente, lúdica. Esse gênero textual favorece a aprendizagem da leitura e escrita, além de estimular a imaginação e a fantasia.
 
(https://tirasarmandinho.tumblr.com/post/159500868289/tirinha-original)
 

Quadrinhos fazem as crianças se interessarem pela leitura, o que ajuda a melhorar a linguagem

 
    Para as crianças que acham a quantidade de linhas de texto em um livro assustadoras, começam a leitura com quadrinhos nos anos iniciais até o seu segundo ciclo, podendo incentivá-las a ler livros maiores posteriormente, aplicando a gramática e as regras de linguagem. O formato sequencial dos quadrinhos também apresenta a narrativa e a estrutura de uma forma que torna divertido para as crianças aprenderem, enquanto as imagens fazem com que o professor possa trabalhar a linguagem não-verbal, assim como diz na habilidade em questão é a construção do sentido dos quadrinhos utilizando recursos gráficos.

    Além disso, crianças com dificuldades de aprendizagem, como dislexia, podem achar mais fácil analisar uma página de quadrinhos do que as páginas de um livro tradicional, e podem até se sentir mais realizadas ao fazê-lo.
 

Quadrinhos são ótimos para manter os alunos envolvidos com tópicos difíceis ou acadêmicos

 
    Não considere o hábito de ler histórias em quadrinhos um obstáculo. Considere-o como um meio de instrução acadêmica. Uma combinação de gráficos visuais, bem como informações textuais, pode realmente ajudar as crianças a processar melhor o tópico em questão. Ajuda a entender temas importantes que devem ser debatidos cedo de forma mais clara e com menos peso mas mantendo a seriedade do assunto, a maneira como os assuntos é abordado, forte e delicada, é muitíssimo bem feita nos quadrinhos que os professores devem trazer para a sala de aula, muitos ainda acreditam que histórias em quadrinhos são “bobagem de criança”, e essa abordagem utilizando a HQ como ferramenta de ensino mostra o quanto ela tem potencial para tratar de todo tipo de assunto.
 
    Veja algumas imagens de "Jeremias – Pele":

(https://www.leitoraviciada.com/2018/03/jeremias.html)
 
    
    Os alunos também podem ser incentivados a abraçar tópicos que consideram chatos e complicados de uma maneira mais criativa. Algumas crianças podem ter mais dificuldade em engajar-se com um texto literário por causa de sua densidade. Nesse caso, as adaptações da história em quadrinhos podem ser incluídas durante o processo de ensino para tornar o texto mais acessível, porque as mesmas convenções literárias, como desenvolvimento e caracterização do enredo, estão envolvidas. Os estudantes podem, assim, sentir um senso mais profundo de conexão com a sua própria história por meio dos quadrinhos, antes de mergulhar em análises complementares.
 

Os quadrinhos incentivam as crianças a expandir e explorar diferentes tópicos

 
    Os tópicos educacionais dos quadrinhos não precisam se limitar às disciplinas acadêmicas. Mas porque? Hoje em dia, os quadrinhos também são um excelente meio para o ensino de cultura, história, bem-estar, construção de relacionamentos positivos e outros tópicos sociais como mostrado acima. Esses assuntos podem não agradar à maioria das crianças puramente em uma base textual, o que os quadrinhos podem fazer aqui é induzi-los a explorar essas ideias em um cenário narrativo, jogando com os pontos fortes e a qualidade envolvente da narrativa da história em que eles estão lendo.
 
    Veja algumas imagens de "Calvin e Haroldo":

(https://cultura.estadao.com.br/galerias/geral,20-tiras-de-calvin-e-haroldo-para-refletir-sobre-a-vida-e-sobre-o-mundo,28507)
 
    Não existem limites de assuntos que os quadrinhos podem explorar, além dos gêneros, as diferentes temáticas dos quadrinhos também são um elemento importante em sala de aula, afinal, a educação nunca se limita apenas a uma só disciplina, e nem se restringe a sala de aula. Os quadrinhos com sua combinação de história, texto e imagens visuais, podem ser uma excelente maneira para as crianças entenderem o mundo ao seu redor e fazê-las voltar para explorar mais essa ferramenta tão importante que é o quadrinho.
 
    Veja algumas imagens de "Golias":

 Página de Golias, primeiro álbum do quadrinista Tom Gauld publicado no Brasil 
(https://vitralizado.com/tag/todavia/)
 
    Mas diz aí, vocês também são amantes dos quadrinhos? Quais mais te marcaram? Conta para a gente!  
 

O Poema e a Geração Alpha: Declamar poemas utilizando as redes sociais.

Por Raíza Félix (UFPE-Pedagogia, 5º período) e Tamirys Melo (UFPE-Pedagogia, 5º período).


Uma habilidade da BNCC que, às vezes, pode passar despercebida ou muitos professores veem dificuldade ao trabalhar dentro da sala de aula, é a habilidade (EF35LP28) que visa declamar poemas, com entonação, postura e interpretação adequadas


Voltada para 3º, 4º e 5º anos, a abordagem dessa habilidade, por diversas vezes, pode parecer extremamente desafiadora, principalmente no que diz respeito a encontrar material base adequado para alunos dessa faixa etária. Poemas que apresentam um vocabulário não tão rebuscado a ponto de ser totalmente indecifrável pelas crianças, mas ao mesmo tempo que não seja simplório demais a ponto de não as desafiar. E além disso, tem-se também o como levar para a sala de aula. O gênero literário, poema, por si só, já carrega certa estigma de ser indecifrável e, por vezes, até inalcançável, diga-se de passagem. 


Muitos se apegam à característica subjetiva do poema, que funciona como uma hidra de sete cabeças em que, cada vez que cortamos uma cabeça, surgem outras duas ainda mais ferozes e inteligentes que a anterior. Cada releitura mostra uma nova forma de interpretação. Peca-se, no entanto, ao esquecer-se a vasta gama de tipos e formas de poemas, o que acaba se tornando um fato limitante na abordagem destes em sala de aula, onde por vezes, não se sabe que poemas trazer para sala de forma de forma a abordar o tema de forma leve e dinâmica, que desperte o interesse e engajamento dos alunos.


Quando se supera a dificuldade de achar um material com linguagem acessível à faixa etária com que se está trabalhando, o foco geralmente recai na leitura, na produção textual e, principalmente, na análise linguística, esquecendo-se de trabalhar a oralidade dos poemas. Não estamos falando que as outras práticas linguísticas tenham menos ou mais importância, mas é necessário buscar refletir sobre o trabalho da oralização dos poemas, que por diversas vezes, só é trabalhado na memorização de um texto para as datas comemorativas, por exemplo. 


O texto artístico-literário transmite sentimentos. Ele conta uma história, e isso também deve ser trabalhado no cotidiano escolar. É preciso refletir sobre como transmitir essa história e os sentimentos do texto: Será que apenas ler é o suficiente para que essa ideia seja transmitida? Declamar um poema parado e um poema movimentando o meu corpo faz alguma diferença para quem a assiste?


Neste sentido, salientamos que trabalhar a leitura e oralidade dos alunos e das alunas são perspectivas distintas. Por exemplo, para declamar um poema não se pode simplesmente ler o que está ali posto. É preciso entonação, um ritmo para que o texto ganhe vida e o sentimento seja transmitido aos que escutam. Em resumo, o que estamos tentando dizer é que, através da oralidade podemos trabalhar a linguagem corporal deste aluno, a entonação da sua voz, a representatividade dos sentimentos, algo que apenas a leitura não nos permite. É preciso tornar a sala de aula um palco de experiências, confortável o suficiente para que ele se sinta à vontade para falar e participar. 


Vejamos um exemplo prático, leia a transposição do poema “Está-se a dar assento a um ser para a alegria dos bem-amados”.  A narrativa foi escrita em língua Mbya Guarani, logo este é a transcriação na concepção de Haroldo de Campos.



Está-se a dar assento a um ser para a alegria dos bem-amados


Quando está por tomar assento em ser que alegrará 

os que levam a marca do masculino 

ou a marca do feminino, 

envia à terra uma palavra-alma boa para que encarne, 

disse nosso Pai Primeiro aos verdadeiros 

pais das palavras-almas filhas


Desdobrarás enviando palavras-almas boas 

para que encarnem, 

e quando elas se tornarem forma aconselhas discretamente: 

‘Irás bem, filhinho do Grande Espírito, 

Considera com fortaleza a morada terrena 

e, mesmo que todas as coisas, em sua diversidade, 

apresentarem-se por vezes horrorosas, 

deves enfrentá-las com valentia’. 


Quando enviam criaturas a nós, 

aqueles que se situam acima de nós dizem: 

“Irás à terra.” 

“Recordarás de mim em teu coração. 

Assim eu farei que circule minha palavra 

por haveres acordado a mim. 


Assim eu farei que pronunciem 

palavras aos inumeráveis 

e excelsos filhos que abarco.  


Falar será vosso valor, calar será o mais alto. 

O valor poderá ter a faculdade de conjurar malefícios 

mas não dominarás, em toda a extensão da terra, 

a quem tentar sobrepor os inumeráveis filhos que eu abarco, 

com parcos valores. 


Por isso tu, enquanto habitares a terra, 

de minha morada formosa haverás de recordar-te. 

Eu inspiro palavras formosas em teu coração, 

de modo que não podes igualar-te 

às imperfeições da morada terrena.”


Para nascer uma criança 

o Grande Espírito, Jakaira Ru Ete, Karaí Ru Ete 

discorreram essas orações sagradas sobre a morada terrena 

com aqueles que haviam provido de palavra. 

Desdobraram esquadrinhando almas, 

tecendo aqueles que seriam futuros pais e mães. 


Então os Seres-Trovões disseram: 

“Nós e nossos filhos seremos revolvidos pela Terra 

e nesse revolver proveremos palavras em pé pelo chão. 

Sons andantes cantarão vidas, cada qual seu tom.” 

                                                                    ( Kaka Werá Jecupé)


Fonte: Júnior, Milton Sgambatti. Poética Indígena: um ensaio sobre as origens da poesia.



O poema se trata da narrativa Tupã Tenondé: A criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral Guarani, de Kaka Werá Jecupé. Quando você leu, quais sentimentos sentiu? O que ele queria passar no poema? Conhecia todas as palavras? Como declararia para outra pessoa? Sua voz transmitiria quais sentimentos? Quais seriam seus gestos? Estas são algumas das reflexões que precisam ser pensadas ao trabalhar a habilidade (EF35LP28), que fala sobre a importância de trabalhar a declamação de poemas, com entonação, postura e interpretação adequadas. Como professores multidisciplinares, também precisamos trabalhar com as múltiplas linguagens, de forma que todas as áreas da linguagem sejam oferecidas. 


Em meio a todo este processo de reflexão, ainda é preciso vencer o desafio de como fazê-lo de forma interessante e engajadora. 


O ser humano tem a tendência natural de se agrupar em redes com aqueles que julga semelhantes e/ou tem interesses em comum para a partir daí estabelecer relações de trabalho, amizade ou amorosa, que se desenvolvem e se modificam com o passar do tempo e assim vai delineando e expandindo sua rede conforme sua inserção no meio social. Neste contexto, o cenário atual predispõe das redes sociais, que funcionam como uma estratégia para o compartilhamento de informações e conhecimento, visando estreitar, manter e expandir essas relações. 


É inegável a influência das redes sociais na vida da Geração Alpha, onde crianças já nasceram conectadas, vivem rodeadas por tecnologia e estão desenvolvendo uma nova visão de mundo a partir da internet. Dentre tantas polêmicas que envolvem este assunto, como os males que a vida paralela que muitos levam no “mundo online” como ansiedade, baixa autoestima e depressão; possam trazer, temos também a forma como estas podem unir pessoas com interesses em comum, ou até despertar a curiosidade acerca de algo jamais explorado. 


Foi a partir dessas premissas que surgiu a ideia de utilizar as redes sociais para abordar poemas, especificamente, através do aplicativo Tiktok, tão popular atualmente entre alunos e alunas das idades trabalhadas. Grande parte dos estudantes são familiarizados com esta ferramenta e em gravar stories que relatam coisas cotidianas da sua vida, memes, curiosidades ou até mesmo notícias. Essa familiaridade com o aplicativo faz com que eles estejam  muito mais predispostos a usá-lo, mesmo que seja para um trabalho da escola ao invés de apenas algo relacionado à sua vida pessoal. 


Abaixo é possível ver alguns exemplos de jovens que escolheram a rede social para declamar poemas:



Fonte: Pessoal das escritoras - Camila Cunha.


Fonte: Retirando do Tiktok @mvleme.

Fonte: Retirando do Tiktok @rap.br.


Nos vídeos é possível perceber que a expressividade dos que declamam passa outra forma de interpretação, muito mais impactante que apenas a leitura da forma escrita.  A expressão facial, a entonação, o gesticular, atribuem fatores imprescindíveis para a transmissão do poema. Assim, algumas propostas que podem ser vivenciadas em sala de aula são:


  • Uma exposição de vídeos gravados pelos alunos e alunas declamando poemas de seu interesse. Isso geraria uma dinâmica muito divertida e interessante pois eles poderiam comparar os poemas escolhidos, sugestões relacionadas a postura ao declamar e a entonação, além de mostrar a todos novos poemas;

  • Propor uma gincana poética, onde cada equipe produziria um vídeo declamando poemas com as características especificadas pelo professor utilizando acessórios inusitados. Será criado uma bancada que avaliará postura, criatividade, entonação e a produção audiovisual. Ganha a equipe que obtiver a maior pontuação. Todo processo pode ser gravado e postado nas redes sociais.


E você, o que achou da ideia de trabalhar poemas utilizando redes sociais? Já passou pela sua cabeça utilizar redes sociais em sala de aula? Que poemas você sugeriria para que fossem declamados pelos alunos? Deixe seu comentário! ;))